Uma Berlim que já foi duas

A despeito de qualquer primeira impressão frustrante que eu tenha tido no dia anterior, Berlim realmente conseguiu me convencer de que é uma cidade fantástica. Após 24 horas de estadia, 30 km percorridos (sendo aproximadamente 10 deles a pé), uma coleção de 200 fotos (isso já descartando as que não prestaram) e muita coisa nova na cabeça, posso dizer que estou me sentindo muito bem em estar aqui. Para memória, vamos a uma rápida descrição do dia.

Minha primeira decisão do dia (tirando aquela de comer 4 ou 5 fatias de pão integral no café da manhã) foi escolher o tipo de trasporte para as grandes viagens. Eu estava muito tentado a ir de bicicleta, mas depois de trocar uma idéia com um turista da Itália que está indo até Copenhague de bicicleta e parou em Berlim para dar um alô, cheguei à conclusão que, como não conheço a cidade, seria dificil pedalar com fluência no primeiro dia. E após encontrar um grupo de brasileiros que estavam pegando um ônibus turístico, decidi ir com eles, mesmo porque é muito mais prático estar com em grupo na hora de tirar aquelas fotos onde é importante que você apareça. E realmente o ônibus valeu a pena, você paga 20 euros para utilizar o onibus a vontade por 2 dias, podendo subir e descer quantas vezes quiser nas paradas durante o trajeto. Com isso, deu para em uma manhã ter uma idéia muito legal de boa parte da cidade, e pegar algumas fotos que surpreenderam até a mim.

Mas na parte da tarde, me separei do grupo e voltei a minha caminhada solitária, porque queria muito visitar um lugar específico, chamado Checkpoint Charlie. A primeira coisa que um ouvinte atento estranha é ouvir o nome de um ponto turístico de Berlim em inglês e não em alemão. Mas tudo fica mais claro quando você descobre que esse nome foi dado pelos americanos, não pelos alemães. O Checkpoint Charlie nada mais é do que o posto de controle de fronteira mais famoso da época da Guerra Fria, pelo qual as pessoas que trafegavam entre as Alemanhas Oriental e Ocidental tinha que passar, mediante uma rigorosa inspeção de documentos, que faria qualquer posto de imigração pelos quais passei até agora parecer um programa de auditório. Foi neste posto, do lado oriental, que várias pessoas foram baleadas por tentar cruzar a fronteira sem autorização. Vestígios do antigo muro de Berlim são encontrados nos arredores do Checkpoint Charlie, embora nesta exata região não exista mais nada, apenas a linha no chão que pode ser vista na primeira foto de hoje. Na época da Guerra Fria essa foto era um sonho impossível: estar ao mesmo tempo na Berlim Oriental e Ocidental, ou seja, em uma única Berlim.

E como a história geralmente tende a ser irônica, 20 anos após o fim da Guerra Fria a gente encontra, bem ao lado do Checkpoint Charlie, um McDonalds, talvez um dos grandes símbolos do capitalismo americano. E fechando o posto de hoje, o novato adiciona uma segunda foto, onde ao lado da imagem de um soldado soviético que tipicamente era responsável por fiscalizar a fronteira, vê-se a fachada do McDonalds, sempre aberto para os consumistas de plantão.

Bem, hoje eu comi broto de feijão por acidente (segundo a mídia, o último responsável pelo surto de e coli na Alemanha no início deste mês), assim, se eu não passar mal, amanhã tem mais!