The Black Country

Você já teve a sensação de voltar no tempo? Ou de que o tempo parou a sua volta, como se as coisas velhas de repente se tornassem novinhas em folha? Bem, este é o conceito do Black Country, algo que no primeiro momento soou para o novato como uma possível região do Reino Unido com uma forte imigração africana, mas logo o Stuart tratou de explicar qualquer mal entendido e esclarecer o que significa The Black Country.

Este é o nome dado a uma região próxima à cidade de Birmingham (que é a segunda mais importante cidade da Inglaterra, e o novato pensava que era Manchester), onde a Revolução Industrial começou, com forte atividade na exploração de carvão mineral. Segundo conta a lenda, nessa região o céu era tão escuro devido à fumaça das indústrias que local foi denominado The Black Country. Mas esta versão é de fato questionada. Alguns atribuem o nome ao solo escuro (devido à abundância do carvão) ou simplesmente a alguma história de Cock and Bull que algum viajante contou um dia.
Após a breve explicação, visitamos o The Black Country Live Museum, e aí vem a parte legal: é um museu vivo, algo que eu ainda não tinha visto. Além das tradicionais exposições que se esperaria encontrar em um museu como esse (máquinas, instrumentos, materiais e fotos da época), você encontra toda uma vila mantida exatamente como era naquele tempo, incluindo seus habitantes. Voluntários se refazam nessa tarefa, fazendo a vez de moradores e trabalhadores. Você pode entrar em uma casa, por exemplo, e encontrar uma família preparando o almoço usando os mesmos fogões de ferro da época, que são mantidos em perfeito estado, como se fossem novos. E por falar em perfeito estado, é impressionante ver as motocicletas e automóveis da época, transitando pelas ruas, como se fossem zero. Inclusive existe dentro do museu uma oficina exclusiva para manter estes veículos funcionando, produzindo peças originais para eventuais reparos. E se você passa pelas lojas, vai encontrar a venda os mesmos artigos que se vendiam na época (de sapatos a compotas de doce), com os mesmos valores, considerando a antiga e complexa moeda britânica do século XVIII (que por si só, vale um post explicar a relação entre penny + shilling+ pound + …). E não é só isso, o Black Country ainda tem seu próprio dialeto. Você houve as pessoas conversando e jura que aquilo é qualquer língua, menos o inglês. Aos desavisados, é possível encontrar logo na entrada do museu mini-dicionários para que você não fique tão perdido com as novas palavras. Mas para o novato, infelizmente isso não surtiu muito efeito, ele precisou do Stuart para traduzir algumas coisas para o inglês normal.
Uma parte muito legal do passeio é encontrar voluntários já bem velhinhos que explicam que participam deste projeto porque a casa onde estão “encenando” pertencia ao seu avô ou bisavô, e que ele se dedica a tal tarefa como uma forma de manter viva a memória da família. Além de tuda a informação que um museu vivo pode trazer, ele alimenta de forma muito positiva o sentimento de pertencer a um grupo, de ser parte de uma história. Gostei!