Salzburg

Salzburg foi um desses lugares onde uma visita despretenciosa acaba por se tornar uma grata surpresa. Você não ouve falar muito de pessoas que vêm a Europa e visitam Salzburg, embora a cidade tenha uma contribuição cultural muito importante para a humanidade: Mozart nasceu aqui. Mas além desse detalhe muito relevante, que em um primeiro momento foi o que levou o novato a passar por aqui em fazer uma parada de um dia em seu roteiro para o próximo destino, Salzburg se revelou uma cidade muito bela e interessante para se compreender como funcionavam as cidades na Europa medieval.

Antes de prosseguir com nosso relato do dia, é preciso fazer aqui uma menção honrosa a um casal de brasileiros de Maringá (eita, terrinha boa!) que conheci ainda no trem e que além de permitirem o novato acompanhá-los por todo o dia, mostraram-se fotógrafos profissionais com uma contribuição primorosa para meu album de fotos. Assim, ao Andres e à Vanessa, o nosso muito obrigado, e deixo o link do blog da Vanessa, que tem muito mais informações úteis e relevantes: http://vainatrilha.wordpress.com.

De volta a Salzburg, a cidade tem duas partes distintas: uma bem antiga (que o pessoal se refere como o Centro) e outra bem moderna, onde possivelmente a cidade expande sua urbanização e ficam as construções recentes como a estação de trem, vários hotéis e outras coisas mais. As duas partes são separadas por um rio. Nossa visita exploratória se concentou no Centro, pois é lá que se encontram os pontos turísticos relacionados ao garoto prodígio e orgulho da cidade, o jovem Mozart.

Uma das coisas que não tem nada a ver com o Mozart e me chamou muito a atenção é o fato da cidade antiga estar praticamente cravada dentro de um maciço de rocha, que com certeza servia como proteção natural para a cidade, que o utilizava como muralha. Hoje é possível passar por um corredor de aproximadamente 50 metros de comprimento escavado na rocha, mas a gente nota que no passado, acessar a cidade por esse lado era impossível. O maciço se ergue por uma altura estimada de uns 30 metros, sendo que no topo a gente vê algumas construções que são vestígios de guarnições militares. É possível perceber que a cidade foi estratégicamente construída em um lugar que era fácil de se proteger, pois se algum exército tentasse invadí-la, teria que fazê-lo por um único caminho. O outro lado da cidade é protegido por um rio, o Salzach. E no ponto mais alto da cidade, vê-se um imponente castelo, que possivelmente é o que deu origem ao nome Salzburg e deveria ser a casa do senhor feudal dessas terras. É muito interessante andar pela cidade e notar esses detalhes, algo que até então eu não havia percebido nas demais cidades visitadas, talvez por serem atualmente grandes metrópoles e devido a expansão urbana, limitarem a visão de quem as visita no tocante a estes aspectos.

No entanto, estar em Salzburg signfica reverenciar Mozart. Tanto a casa onde ele nasceu como a casa que posteriormente fixou residência foram transformadas em museus, e abertas a visitação. Uma estátua do músico pode ser vista bem no centro da cidade, indicando seu lugar de honra. Além disso, o povo empresta seu nome para teatros, escolas de música, lojas, até um chocolate chamado Mozart abunda por aqui (e considerando que é muito barato, não creio que seja muito bom não). E como não poderia deixar de ser, fechamos o post com uma homenagem ao Sr. Wolfang Amadeus Mozart em nossa última noite na Austria, enquanto nos preparamos para cruzar a próxima fronteira. Mas isso é uma outra história…