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Munique

Frauenkirche, em restauração

Hoje o novato escreve, pela primeira vez, de dentro de um trem que acaba de cruzar a fronteira entre a Alemanha e a Austria em Salzburg. Desde que já tiramos bastante foto hoje e ainda temos 2 horas até o nosso próximo destino, nada melhor do que aproveitar o tempo de janelinha para redigir o post de hoje. Uma pena não ter conexão de internet nos trens, pois se tivesse com certeza daríamos um jeito de realizar uma broadcast pelos alpes austríacos, que até agora eu vi apenas um pedacinho, mas já deu água na boca. Mas enfim, a Áustria é assunto para amanhã, porque hoje o dia foi dedicado a Munique.

Munique foi uma passagem relâmpago, que durou apenas uma manhã. Como choveu muito ontem durante a tarde e quase por toda a noite, não foi possível fazer muita coisa antes que amanhecesse um novo dia. O jeito foi tentar dormir cedo (a palavra tentar é apropriada quando nos referimos aos hostels, mas eu vou deixar pra detalhar isso outro dia) e acordar bem cedo para aproveitar tudo o que fosse possível numa manhã. Dito e feito, vou possível ter uma boa idéia do centro da cidade, onde se encontram os pontos turísticos mais visitados e assim poder emitir uma impressão.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que a diferença entre Munique e Berlim é significativa, mas não é fácil de explicar. Após pensar e pensar sobre isso, decidi optar pela seguinte analogia: é como se Berlim fosse um homem e Munique uma mulher. Berlim passa a idéia de uma cidade robusta, esbelta, onde tudo é muito grande mas ao mesmo tempo extremamente funcional e prática. Munique, por outro lado, tem um certo charme, um jeitinho aconchegante, que atrai e seduz. Em parte, talvez a diferença se deva ao fato de Berlim ter sido praticamente reconstruída após a Segunda Guerra, enquanto Munique conserva em vários aspectos a idéia de uma cidade mais antiga. A verdade é que as duas cidades oferecem muitos atrativos para quem as visita, em diversos aspectos. Lamentei não poder gastar 3 dias em Munique como fiz em Berlim, mas por outro lado isso é bom, pois tenho mais um motivo para voltar algum dia.

Neues Rathaus

Caminhar pelo centro de Munique é extremamente fácil, há um calçadão próprio para isso, e o fluxo de pessoas é bem grande. Há muitas lojas e opções de compra, embora todas estivessem fechadas por ser domingo de manhã. O que mais se vê são igrejas, sendo uma delas um dos os principais cartões postais da cidade: a Frauenkirche. Além desta igreja, vale uma menção honrosa para a Neues Rathaus.


A Frauenkirche, conhecida como as torres gêmeas de Munique, impressiona por ser uma estrutura do século XV construída em tijolinhos (e quando você vê o tamanho do negócio, tem que tirar chapéu para o engenheiro alemão que fez o cálculo estrutural disso tudo). Uma pena que a igreja se encontrava em restauração, assim foi possível fotografar apenas uma das torres. 


A Neues Rathaus é uma grande estrutura arquitetônica com uma torre gótica relativamente recente (século XIX), cuja arquitetura impressiona em sobremaneira devido aos detalhes. Hoje ela abriga parte da administração municipal de Munique. Voltei duas vezes para tirar fotos desta construção com diferentes ângulos de luz.

No mais, a gente percebe uma cidade moderna, com vida urbana agitada, muitas opções culturais, museus, anúncios de festivais por toda a parte, enfim, algo digno da maior cidade da Alemanha. E por estarmos na Bavária (que por si só é um show a parte e receria um post individual), o novato encerra o post de hoje pedindo a mim para escrever que essa é com certeza uma das regiões mais belas do mundo, e se um dia você decidir morar na Alemanha, procure uma casa por aqui.

A Alemanha de uma janela de trem

Hoje o novato acordou cedo para tomar um café da manhã reforçado, fazer checkout do hostel e por o pé na estrada, rumo a Munique. Após pedir informação umas 5 vezes pra ter certeza de que estava no lugar certo, ele embarcou no seu primeiro trem ICE (um dos trenzinhos rápidos da Alemanha) rumo a Munique, nossa próxima parada nesta viagem épica!

Entretanto, às vezes mais importante que a chegada é o caminho, então em uma viagem de trem que dura quase 6 horas, é importante aproveitar muito bem os locais por onde se passa. E da janela do trenzinho vê-se uma Alemanha bem diferente daquela fotografada em Berlim. São quase 600 km de paisagens, que variam desde as monótonas estações de trem, que praticamente toda cidade no caminho possui uma, até algumas visões bucólicas da natureza que parecem ter sido tiradas dos contos infantis dos Irmãos Grim.

No caminho, vi algumas coisas interessantes em termos de tecnologia alemã, como por exemplo o próprio controle da malha ferroviária, que a gente percebe em momentos que o trem reduz ou acelera próximo a uma junção e você vê um enorme trenzão passar em sentido contrário, na mesma linha que seu trem se encontrava segundos antes. Pude ver também diversas usinas eólicas e painéis solares, mostrando que os alemães estão alinhados com a energia ecologicamente correta.

Mas o mais impresionante do caminho é ver as pequenas vilas e cidades, que praticamente crescem em volta da estação ferroviária. As casas são simples, mas ao mesmo tempo aparentam ser tão bem cuidadas que parecem casinhas de boneca. Diferente da selva de concreto que estamos acostumados e ver em nossas cidades, parece que todo mundo por aqui gosta de ter um jardim com muito verde, roseiras e um playground para as crianças. A sensação que passa é de que os alemães valorizam bastante este aspecto do lar, da família, pois no minimo eles gastam muito tempo cuidando de suas casas.

Após 6 horas, cheguei a Munique a tempo de marcar minha próxima viagem, já para amanhã a tarde (infelizmente Munique será uma visita relâmpago, só mesmo para constar que passei por aqui) e fui direto pro hostel, pois explorar a cidade com toda a bagagem nas costas faz com que as impressões se tornem negativas muito rápido. Amanhã, falamos mais sobre Munique.

Um elevador e uma deusa

Hoje é meu terceiro e último dia em Berlim. Amanhã vou experimentar minha primeira viagem em um dos famosos trens rápidos da Alemanhã, cruzando o país rumo ao sul, até Munique. Assim, vamos ao post de hoje, com as últimas impressões e conclusões do novato. Apesar de três dias de fortes emoções, ele deixa Berlim com a sensação de que ainda há muito por se ver e conhecer

Tenho uma coisa a elogiar: a educação e tratamento gentil dispensado pelos alemães de Berlim aos visitantes. Não sei se isso é influência dos belos dias de verão que tive a felicidade de passar aqui, mas em todo o momento sempre fui muito bem tratado, fosse em um restaurante ou loja, ou mesmo para pedir informações nas ruas. Realmente é muito fácil encontrar um alemão falando inglês, e mesmo quando não fala, eles se esforçam para tentar te entender e te auxiliar, sempre de uma maneira muito objetiva, mas ainda assim muito humana. Por várias vezes, quando estava sozinho tentando produzir um auto retrato (aquelas fotos que a gente tira de si mesmo várias vezes tentando colocar a cara junto com a paisagem), pessoas se aproximavam e se ofereciam para tirar a foto.

Meu passeio de hoje foi começar pela famosa Alexander Platz, uma das praças mais famosas da cidade, bem próxima a Fernesehturm (é essa pequena torrezinha de 368 metros estampada na foto de hoje), e seguir por uma bela caminhada de aproximadamente 3 km até o Portal de Brandenburger, que é um dos símbolos da cidade. Mas, antes da caminhada, é obrigatório uma subida até o topo da Fernesehturm.

O acesso a torre possui um sistema razoável de segurança, muito provavelmente por temor a atentados terroristas. Você é vistoriado e se carregar contigo qualquer tipo de liquido ou latas, terá que jogar no lixo. A subida é feita de elevador, a uma velocidade de 6 metros por segundo (você sente o ouvido doer com a rápida mudança da pressão). La em cima, a visão panorâmica da cidade impressiona, principalmente se você entrar no restaurante giratório que tem lá. Dá pra tirar umas fotos muito legais.

De volta ao solo, o novato seguiu sua caminhada, passando por muitos prédios e antigas construções, incluindo o Museu de Arte de Berlin e algumas universidades. A cada 100 metros, uma pausa para fotos e, se o cansaço batia, uma sentada em algum banquinho, regada a bastante liquido e algumas nozes para dar mais energia. Hoje não levei Kinder Ovo, mas em compensação tinha comigo uma barra de Ovo Maltine, e acreditem, é melhor que o Kinder Ovo.

No Portal de Brandenburger, peguei o ônibus até a Siegessaule, também conhecida como Coluna Victoria, que acredito ser o monumento mais conhecido de Berlim, e remonta aos tempos do império Prussiano. A gigantesca estrutura (segunda foto de hoje) impressiona qualquer um. Quando a gente se aproxima, a sensação de imponência passada pela “bronzeada” Victória (uma das deusas da mitologia teotônica) se torna ainda maior, e pude contemplar a mesma já ao final do dia, com os detalhes dourados a refletir o sol. Fim de dia, amanhã uma nova cidade nos espera.

Uma Berlim que já foi duas

A despeito de qualquer primeira impressão frustrante que eu tenha tido no dia anterior, Berlim realmente conseguiu me convencer de que é uma cidade fantástica. Após 24 horas de estadia, 30 km percorridos (sendo aproximadamente 10 deles a pé), uma coleção de 200 fotos (isso já descartando as que não prestaram) e muita coisa nova na cabeça, posso dizer que estou me sentindo muito bem em estar aqui. Para memória, vamos a uma rápida descrição do dia.

Minha primeira decisão do dia (tirando aquela de comer 4 ou 5 fatias de pão integral no café da manhã) foi escolher o tipo de trasporte para as grandes viagens. Eu estava muito tentado a ir de bicicleta, mas depois de trocar uma idéia com um turista da Itália que está indo até Copenhague de bicicleta e parou em Berlim para dar um alô, cheguei à conclusão que, como não conheço a cidade, seria dificil pedalar com fluência no primeiro dia. E após encontrar um grupo de brasileiros que estavam pegando um ônibus turístico, decidi ir com eles, mesmo porque é muito mais prático estar com em grupo na hora de tirar aquelas fotos onde é importante que você apareça. E realmente o ônibus valeu a pena, você paga 20 euros para utilizar o onibus a vontade por 2 dias, podendo subir e descer quantas vezes quiser nas paradas durante o trajeto. Com isso, deu para em uma manhã ter uma idéia muito legal de boa parte da cidade, e pegar algumas fotos que surpreenderam até a mim.

Mas na parte da tarde, me separei do grupo e voltei a minha caminhada solitária, porque queria muito visitar um lugar específico, chamado Checkpoint Charlie. A primeira coisa que um ouvinte atento estranha é ouvir o nome de um ponto turístico de Berlim em inglês e não em alemão. Mas tudo fica mais claro quando você descobre que esse nome foi dado pelos americanos, não pelos alemães. O Checkpoint Charlie nada mais é do que o posto de controle de fronteira mais famoso da época da Guerra Fria, pelo qual as pessoas que trafegavam entre as Alemanhas Oriental e Ocidental tinha que passar, mediante uma rigorosa inspeção de documentos, que faria qualquer posto de imigração pelos quais passei até agora parecer um programa de auditório. Foi neste posto, do lado oriental, que várias pessoas foram baleadas por tentar cruzar a fronteira sem autorização. Vestígios do antigo muro de Berlim são encontrados nos arredores do Checkpoint Charlie, embora nesta exata região não exista mais nada, apenas a linha no chão que pode ser vista na primeira foto de hoje. Na época da Guerra Fria essa foto era um sonho impossível: estar ao mesmo tempo na Berlim Oriental e Ocidental, ou seja, em uma única Berlim.

E como a história geralmente tende a ser irônica, 20 anos após o fim da Guerra Fria a gente encontra, bem ao lado do Checkpoint Charlie, um McDonalds, talvez um dos grandes símbolos do capitalismo americano. E fechando o posto de hoje, o novato adiciona uma segunda foto, onde ao lado da imagem de um soldado soviético que tipicamente era responsável por fiscalizar a fronteira, vê-se a fachada do McDonalds, sempre aberto para os consumistas de plantão.

Bem, hoje eu comi broto de feijão por acidente (segundo a mídia, o último responsável pelo surto de e coli na Alemanha no início deste mês), assim, se eu não passar mal, amanhã tem mais!

Sprechen Sie deutsch?

Hoje foi o dia de dizer “até logo” ao Reino Unido. Sigo para um período intenso de viagem, passando por 4 países diferentes para ver de perto aqueles lugares que sempre sonhei em visitar. E neste trajeto o novato vai de avião, de trem, de ônibus, do que aparecer pela frente que seja conveniente e econômico. A primeira parada requereu bastante esforço e disposição, tudo para aproveitar um vôo do tipo low cost entre Londres e Berlin. E após quase 20 horas voando, andando de ônibus, correndo ou caminhando (isso sem incluir as longas esperas em aeroportos e estações rodoviárias), é isso: estamos em Berlim!

Cheguei em Berlim às 9h00 da manhã, cansado, com fome, fedido, e com pouca disposição para encarar um passeio no primeiro dia (que triste). Isso porque eu passei a noite acordado e após o longo processo de validação do bilhete do vôo, inspeção de bagagem, interrogatório pelo pessoal de fronteira, convenhamos: existe o sério risco de perder a empolgação e querer ir o quanto antes para algum lugar onde se possa descansar. Mesmo assim, eu tinha várias pendências de primeiro dia e decidi que precisava resolver as mesmas conforme o planejado, para manter as coisas nos eixos. Assim, vamos explorar um pouco da cidade!

A primeira impressão, tenho que admitir, foi relativamente frustrante. Uma coisa que logo descobri é que os alemães tem alguma problema sério com os banheiros publicos. Esses geralmente são pequenos (quero dizer, cabe uma pessoa de cada vez), então as filas que se formam são grandes e neste processo, a limpeza deixa a desejar. Do aeroporto à estação de trem, outra descoberta: a de que o transporte público alemão, embora eficiente, é extremamente complicado de se entender (pelo menos em Berlim). As informações disponíveis em inglês escrito são muito poucas, então o jeito é recorrer aos quiosques de informação. Entender um alemão falando inglês é relativamente fácil, mas parece que eles não tem a mesma facilidade para entender a gente. E o mais difícil em pedir informação é pronunciar os nomes das estações corretamente. Geralmente, após duas tentativas frustradas, eles pedem que você escreva o nome, e aí você descobre que a coisa pode piorar. Mas a lição foi aprendida: se quer visitar algum lugar por aqui, escreva o nome em um papel e carregue sempre com você porque explicar onde se quer chegar pode ser um desafio e tanto.

Mas, em linhas gerais, consegui chegar à Estação Central de Berlim (como tive que trocar de trem 3 vezes, demorei um pouco pedindo informação a cada troca), ativei meu europass para viajar de trem para os próximos destinos e ainda pude apreciar a vista da fantástica estação central, que integra o metrô (U-Bahn), trem de superfície (S-Bahn), trens metropolitanos e a rede de ônibus municipais. Daí você senta em um banquinho, puxa uma caixa de Kinder Ovo (um treco que é muito barato por aqui!) e fica admirando a eficiência alemã!

O dia acabou com uma caminhada nas proximidades do hostel que estou hospedado. Fui a mercado fazer minha primeira compra, com itens básicos de mochileiro (com exceção da toalha, que já estava garantida). Ao caminhar pelas ruas de Berlim, é possível notar uma diferença muito grande com as demais cidades: há poucas construções antigas, pois a cidade foi totalmente destruída durante a guerra, e reconstruída nos últimos 70 anos. Mas ainda há muita história em todos os arredores. E amanhã o novato vai em busca delas.

The Black Country

Você já teve a sensação de voltar no tempo? Ou de que o tempo parou a sua volta, como se as coisas velhas de repente se tornassem novinhas em folha? Bem, este é o conceito do Black Country, algo que no primeiro momento soou para o novato como uma possível região do Reino Unido com uma forte imigração africana, mas logo o Stuart tratou de explicar qualquer mal entendido e esclarecer o que significa The Black Country.

Este é o nome dado a uma região próxima à cidade de Birmingham (que é a segunda mais importante cidade da Inglaterra, e o novato pensava que era Manchester), onde a Revolução Industrial começou, com forte atividade na exploração de carvão mineral. Segundo conta a lenda, nessa região o céu era tão escuro devido à fumaça das indústrias que local foi denominado The Black Country. Mas esta versão é de fato questionada. Alguns atribuem o nome ao solo escuro (devido à abundância do carvão) ou simplesmente a alguma história de Cock and Bull que algum viajante contou um dia.
Após a breve explicação, visitamos o The Black Country Live Museum, e aí vem a parte legal: é um museu vivo, algo que eu ainda não tinha visto. Além das tradicionais exposições que se esperaria encontrar em um museu como esse (máquinas, instrumentos, materiais e fotos da época), você encontra toda uma vila mantida exatamente como era naquele tempo, incluindo seus habitantes. Voluntários se refazam nessa tarefa, fazendo a vez de moradores e trabalhadores. Você pode entrar em uma casa, por exemplo, e encontrar uma família preparando o almoço usando os mesmos fogões de ferro da época, que são mantidos em perfeito estado, como se fossem novos. E por falar em perfeito estado, é impressionante ver as motocicletas e automóveis da época, transitando pelas ruas, como se fossem zero. Inclusive existe dentro do museu uma oficina exclusiva para manter estes veículos funcionando, produzindo peças originais para eventuais reparos. E se você passa pelas lojas, vai encontrar a venda os mesmos artigos que se vendiam na época (de sapatos a compotas de doce), com os mesmos valores, considerando a antiga e complexa moeda britânica do século XVIII (que por si só, vale um post explicar a relação entre penny + shilling+ pound + …). E não é só isso, o Black Country ainda tem seu próprio dialeto. Você houve as pessoas conversando e jura que aquilo é qualquer língua, menos o inglês. Aos desavisados, é possível encontrar logo na entrada do museu mini-dicionários para que você não fique tão perdido com as novas palavras. Mas para o novato, infelizmente isso não surtiu muito efeito, ele precisou do Stuart para traduzir algumas coisas para o inglês normal.
Uma parte muito legal do passeio é encontrar voluntários já bem velhinhos que explicam que participam deste projeto porque a casa onde estão “encenando” pertencia ao seu avô ou bisavô, e que ele se dedica a tal tarefa como uma forma de manter viva a memória da família. Além de tuda a informação que um museu vivo pode trazer, ele alimenta de forma muito positiva o sentimento de pertencer a um grupo, de ser parte de uma história. Gostei!

Nottingham

Hoje fiz um passeio relâmpago à cidade de Nottingham (isso mesmo, a cidade relacionada à famosa lenda de Robin Hood). Digo passeio relâmpago porque meu objetivo primário não era conhecer a cidade, e sim visitar um amigo que trabalha na Universidade de Nottingham como pesquisador na área de georeferenciamento, mais especificamente, GPS. Após conhecer o laboratório onde ele desenvolve as pesquisas e poder ver de perto alguns equipamentos relacionados ao Projeto Galileu, almoçamos juntos no Campus Jubileum e eu segui o meu caminho, porque meu amigo tinha seus compromissos profissionais.

Bem, um breve overview sobre Nottingham. Diferente das demais cidades históricas que pude visitar no Reino Unido, Nottigham mescla muito bem a antiga arquitetura medieval com as construções mais recentes do período vitoriano. A sensação e de estar em uma cidade moderna mesmo, muito similar aos demais centros urbanos aos quais estamos acostumados. Entre um quarteirão e outro você dá de cara com uma torre antiga, ou um muro de pedra que se percebe que está lá há muito tempo. Também me chamou atenção os aclives e declives, pois até então por todo o lugar onde eu passava, estava acostumado à paisagem plana. Nottingham é cheia de morros, e algumas construções exploram isso muito bem em sua localização.

Parque da Universidade de Nottingham
A lenda de Robin Hood é visivelmente explorada na cidade. O Castelo de Notthingam (possivel residência do vilão desta história) está lá, bem no centro da cidade e em destaque. Para quem quiser visitar. Vários estabelecimentos, desde os pubs aos mercados, exploram os nomes dos personagens (Robin, Little John, etc) e até passei por uma rua chamada Maid Marion. E, é claro , vários convites espalhados pela cidade para se conhecer a famosa Floresta de Sherwood, onde o destemido herói teria seu refúgio e segurança contra o temido Sherif de Nottingham.
Lendas a parte, a Universidade de Nottingham é bem real, novamente um grandioso exemplo do quanto as universidades são valorizadas por aqui e, embora o custo seja exorbitante, tudo que se vê indica que claramente que o mesmo é revertido para a qualidade da educação dos alunos. O campus é extraordinário, com construções modernas e um imenso parque com lago logo na entrada principal. Como hoje foi um dia ensolarado de verão, o parque estava cheio de estudantes aproveitando o dia e caminhadas e passeios de barco, ou simplesmente deitados na relva, e diversos deles com um livro na mão.
E para ilustrar o dia, uma foto tirada do parque da universidade, que dá uma idéia muito boa de como seria uma imagem real de Robin Hood e Maid Marion em um romântico passeio de barco, séculos atrás.

Londres – Dia 2

Roseta Stone (British Museum)
O novato não aguentou e voltou a Londres hoje. E voltou com um plano todo elaborado, de visitar uma serie de lugares interessantes próximos à Euston Station, estação de trem onde desembarcam as pessoas que vêm de Milton Keynes. Mas o plano furou. O novato não contava com uma coisa: o British Museum.

O British Museum é algo tão impressionante que faz o MASP parecer biblioteca de escola (com todo o respeito ao maior museu que temos no Brasil). Embora as galerias estejam organizadas por continentes e em alguns casos por países, o museu é muito amplo e muito voltado a história. Nunca antes na vida eu tinha visto tantas múmias! Uma pena que as fotos com elas não ficaram tão boas (e eu bem que queria finalmente conseguir algumas fotos com alguém mais feio que eu).

O museu existe desde o o final do século XVII, e a visitação é gratuita (tudo a ver comigo), mas existe um gentil pedido por contribuições (muito polido, bem ao estilo britânico), o que é mais do que justo. Muitas das peças foram trazidas na época das grandes expedições arqueológicas promovidas pelos ingleses, tirando proveito dos anos áureos da navegação britânica nos séculos seguintes. O acervo de artefatos egípcios, sírios, babilônicos, persas e gregos é algo fantastico, isso sem esquecer os artefatos ligados aos povos americanos pré-colombianos (tirei foto até com um moai da Ilha de Páscoa). A gente fica perdido e não vê o tempo passar (so sente as pernas doerem de tanto ficar em pé). Eu havia planejado o passeio para a parte da manhã, mas fiquei o dia todo, e ainda saí frustrado por não conseguir chegar na galeria chinesa a tempo. Há mais fotos no meu perfil do facebook, para os fins de museus.
A peça mais importante do museu (pelo menos em minha humilde opinião) é a Pedra da Roseta, que ilustra o post de hoje. Acho que todos sabem o valor incálculavel que essa pedra teve para a tradução dos hieroglifos egípcios por Champollion . Praticamente, a pedra coloca lado a lado texto em hieroglifos com a correspondente versão escrita em idiomas conhecidos da época, entre eles o grego (aí ficou fácil!).

Terminei o dia com uma breve caminhada pelas ruas de Londres, passando pela Praça Russel (e muito divertido ver os londrinos ao final do dia tomando sol nos gramados das praças) e pela London University. Em seguida, trem pra Milton Keynes e uma boa noite de sono, que amanhã tem mais.

Sincronizando os relógios

Os últimos dias têm sido um tanto tranquilos. Precisava de tempo para elaborar os próximos passos e definir a parte mais esperada da viagem, que é ir além das fronteiras do Reino Unido. Nada mais propício, então, do que ilustrar este post com a foto do relógio de Greenwich. É este o relógio com o qual, em conformidade com a geografia moderna, o mundo sincroniza seus relógios. Alias, Greenwich é um lugar muito bacana, preciso escrever um post só sobre isso.
Uma vez que o roteiro está praticamente pronto, achei que seria interessante repassar alguns detalhes neste post, que talvez sirvam de auxílio para outro novato no futuro. Algumas coisas que já sabia, outras que descobri quando já estava por aqui, e decisões de viagem que estou fazendo simplesmente por escolha pessoal, ou seja, nada que possa ser indicado como uma boa idéia para qualquer um em qualquer momento.
Primeiramente, a forma de viajar. Decidi viajar de trem. Quem pesquisar na internet vai logo perceber que hoje a maioria dos viajantes experts em Europa recomendam não viajar de trem, e sim de avião. E de fato, passagens áreas tem um custo muito competitivo por aqui, mas em contrapartida algumas restrições. A primeira delas, a bagagem, ainda que isto não seja um problema para os mochileiros (com exceção às pessoas que insistem em levar secador de cabelo, pranchinha, shampoo, cremes, barbeador e tudo mais). A segunda, e a mais complicada, é que os vôos de baixo custo são entre aeroportos distantes das cidades, e nem todos eles dispõem de transporte barato para os pontos de hospedagem e turismo; em contrapartida, as estações de trem estão muito bem localizadas e, nos grandes centros, integradas também à rede de metro. E por último (o que pesou mais pra mim), da janela do trem da pra ver muito mais coisas do que da janelinha do avião. Então, tenho pela frente quase 20 dias de longas viagens de trem e muitas paisagens da parte central da Europa.
Outro aspecto importante: onde se hospedar. Infelizmente, estou viajando sozinho e isso dificulta bastante as coisas. Mesmo que os hostels sejam a melhor opção, seria bem mais adequado estar viajando em grupo, pois é possível alugar quartos para três ou quatro pessoas quase pelo mesmo preço que estarei pagando para ficar em um quarto compartilhado. Os preços dos hostels são muito interessantes com relação aos demais hoteis da Europa, mas ainda assim são salgados, especialmente na Inglaterra, se considerarmos a realidade de brasileiros. Mas, ao mesmo tempo, estes tem em seu favor a publicidade de promover a integração entre os viajantes, criar um espaço de aproximação para fazer amigos e conhecer gente nova. E, particularmente, estou em um momento bem propício a esse tipo de aventura.

Fico no Reino Unido ainda por uma semana. Volto a Londres para um dia de museu, vou a Nottingham conversar com um amigo que é professor na universidade de lá e no final de semana, teremos um passeio de dois dias pelo interior do país, visitando os familiares do Stuart. E negócio é aproveitar os próximos 7 dias.

Cambridge

Hoje foi a vez de Cambridge. E diga-se logo de cara, uma cidade interessante e acolhedora. Estou me sentindo muito orgulhoso de, em minha primeira semana no Reino Unido, ter visitado duas universidades que estão entre as mais famosas do mundo e onde qualquer pessoa que aprecie o conhecimento, incluindo entre elas o novato, um dia já sonhou estudar.

Stuart e eu, sobre a ponte do Rio Cam

Vamos começar pelo nome, também. Cambridge = Cam + Bridge = Ponte do [Rio] Cam. Este é o rio que corta a cidade, e nada melhor para ilustrar este post do que a foto da ponte que originou o nome da cidade. E tal como Oxford, as origens da cidade vêm desde a época dos romanos, enquanto a universidade teria sido fundada por estudantes que fugiram de Oxford e um período de guerras por lá, isso por volta do início do século XIII.

Algo muito legal do passeio de hoje é que o Stuart estudou Engenharia em Cambridge, então tive a orientação de um guia de primeira classe. Além disso, a oportunidade de conhecer por dentro o Peterhouse College, que é o mais antigo colegge que ainda existe em Cambridge, fundado em 1284. Tudo isso porque o Stuart, como ex-aluno, tem acesso livre e pôde nos levar com ele para conhecer. Ao observar-se tudo a minha volta, as antigas construções de pedra, a capela onde as pessoas se sentam de frente umas para as outras em duas linhas paralelas de bancos e o salão de refeições que parece ter sido tirado dos livros do Harry Potter, a gente percebe o quanto de história existe ali e quanta gente brilhante já passou por aqueles bancos.

No mais, uma boa caminhada pela cidade e uma sensação de qualidade de vida, pois embora haja bastantes turistas, é possível ver também muitas famílias, casais com crianças pequenas, mostrando que o local é realmente aprazível para se viver e oferece um bom padrão de qualidade de vida. Assim como ocorreu em Oxford, o novato ficou com vontade de ficar por lá. Mas a viagem continua.