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Napoli Sotterranea

Napoli Sotterranea

Duas coisas estão se tornando um padrão para o novato nos últimos dias. A primeira é aparecer na foto sempre com as mesmas camisetas. A segunda é estar sempre fotografando ruinas greco-romanas. Bem, uma breve explicacão sobre os dois padrões adotados, antes que alguém pense que estou tão mau cheiroso quanto Napoles ou que não tenho outra coisa para fotografar.

Para viajar leve, escolhi trazer comigo apenas 3 camisetas dry, que vou usando e lavando embaixo do chuveiro mesmo, a cada dia. Não sou um exímio lavador de roupas, mas posso garantir que elas ficam cheirosinhas e secam rápido. Também tenho tomado banho todos os dias, mesmo em Napoles! E as ruínas, a questão é simples: coisas antigas, relacionadas a história, me interessam bastante, muito mais do que os trabalhos requintados dos artistas italianos da renascença. Assim, aqueles que queriam ver estátuas de nus artísticos, por favor, me perdoem… Fica pra próxima viagem.

Agora, falemos da Napoli Sotterranea, nome comumente dado ao conjunto de ruínas subterrâneas da cidade, que datam dos séculos III e IV AC (pensem nisso, é quase 2.500 anos)! Conforme comentado ontem, Napoles foi uma importante cidade ainda na período helenístico, e mescla muito da cultura grega e romana. Quando os romanos chegaram por aqui, acharam as construções gregas muito simplórias (tipo casas) e decidiram construir mais por cima (fazer sobrados, por assim dizer). Resultado: as dezenas de séculos foram pouco a pouco fazendo com que novas construções literalmente se sobrepusessem às antigas, e hoje tem-se no subsolo de Napoles uma verdadeira cidade subterrânea, um filé mignon para os arqueólogos.

Mas, como tudo em Napoles, visitar as ruinas no subsolo pode ser algo extremamente complicado, pois pra variar você não encontra nenhuma indicação turística que diga de forma clara “as ruínas estão ali”. Após pedir muitas informações, você descobre que existem várias empresas na cidade que oferecem este tipo de passeio, e cada uma possui o seu “pedaço” das ruínas. A triste conclusão é que se você quiser visitar todas, terá que pagar muito caro. A opção é escolher uma delas e torcer para que ela seja suficientemente representativa em relação às demais. Feito isso, o novato optou por visitar as ruínas do Museu Arqueologico Scavi, que correspondem a um antigo centro comercial da época da colonização grega, sobreposto posteriormente por edifícios romanos e finalmente por uma igreja, já na idade média.

Em um primeiro momento, recebemos de um guia falando francês (por sorte uma boa alma traduziu-me os pontos obscuros para o inglês) as orientações sobre como o centro comercial que visitaríamos funcionava, os tipos de serviço oferecidos, a localização de cada um deles nas ruínas e a explicação sobre como os arqueológos chegaram a tais conclusões. Após ouvir isso, começa a exploracão, uma descida de pouco mais de 10 metros no subsolo e um passeio pelas galerias de uma edificação que prende a atenção e os olhos (pelo menos para os que gostam de ruínas e de história).

Andando pelas galerias, a gente vê e aprende muita coisa. A começar pela diferenca entre as técnicas de construção grega e romana; a primeira utilizando blocos de pedra e a segunda tijolos de argila. Em seguida, é possível observar os locais destinados às atividades comerciais desta antiga edificação. Há uma lavanderia, descoberta devido aos tanques utilizados para lavar roupa, e um restaurante, com fornos para cozinhar e inclusive uma janelinha de quiosque, onde as pessoas faziam seus pedidos e pagavam por ele. Há até mesmo um banco, cuja existência os arqueólogos deduzem em função do tamanho e do formato das portas utilizadas para o recinto.

Chama a atenção também pios mosaicos que ainda podem ser vistos parcialmente nas paredes das antesalas mais importantes, e mesmo um piso rústico de um tipo de mármore considerado muito raro, o bastante para que mesmo os napolitanos se preocupem em que ninguém pise sobre ele, para não danificá-lo. No fim das contas, a conclusão que se chega é que a organização social de 2.000 anos atrás era em muito parecida com o que temos hoje, guardadas as devidas proporções.

E este foi o passeio do dia. Deixo a Itália amanhã, e estou guardando um post especial sobre culinária. Mas isso é assunto para um outro dia.