Um dia típico de familia britânica

Mesmo antes de iniciar minha viagem, eu tinha em mente a idéia de “experimentar” os locais pelos quais eu passar, do ponto de vista de um nativo e não de um turista. Concordo que esta idéia é um tanto ambiciosa para um novato, mas para isso estou contando com o apoio da minha irmã que já conhece um pouco sobre essas bandas.

Pensando assim, decidi que hoje seria o dia reservado para um típico programa sabático de uma família britânica, basicamente composto por um despertar sem pressa, uma boa caminhada pela manhã, algumas atividades de jardim no início da tarde e um jantar com amigos à noite. E poder fazer tudo isso em um dia ensolarado é considerado um luxo. Assim, seguem minhas impressões.

A caminhada pela vizinhança rendeu novamente impressões muito positivas sobre Milton Keynes. Além daqueles aspectos que já descrevi ontem, pude observar essa manhã um pouco do cotidiano das famílias e mais detalhes do local onde estou. As pessoas em geral são bem reservadas, não há muita comunicação entre os vizinhos. Cada qual se preocupa em cuidar da sua casa, limpando alguma coisa, aparando a grama do jardim, ou simplesmente se exercitando um pouco. É comum ver crianças brincando nas áreas comuns (que se assemelham muito a parques), andando de bicleta ou passeando com seus cães.

A sensação de estar dentro de um condomínio fechado (que é o que existe de mais parecido no Brasil) é muito forte, e mesmo as estruturas não residenciais se mesclam ao resto. Uma coisa que me chamou a atenção, por exemplo, foi a escola que atende este bairro. Se não fosse pelos portões, ela pareceria totalmente mesclada às casas. Além disso, as áreas comuns (parquinhos, quadras esportivas, matas com trilhas, etc) abrem espaço para uma integração completa das atividades cotidianas. A impressão do novato é que crescer aqui cria uma forte sensação de pertencer a algum lugar, dada a qualidade de vida e a forma como a comunidade se organiza para torna-la algo concreto.

Em matéria de urbanização e planejamento, é algo de dar inveja, pois no Brasil um padrão similar de qualidade seria visto apenas em condomínios de alto padrão que apenas pessoas de elevado poder aquisitivo poderiam pagar. Aqui, as pessoas usufruem de tudo isso pagando apenas seus impostos. Algo que faz refletir muito sobre a realidade brasileira e o quanto ela poderia ser melhorada.

Fechamos o dia com um excelente jantar, tendo por convidada uma amiga muito querida de minha irmã. Comida excelente, conversas melhores ainda, uma troca muito gostosa de estórias, lembranças e emoções. Gostei!

A Cock and Bull story

Tem que ler até o final pra entender a foto

Hoje o novato acordou às quatro horas da manhã. É a hora que o sol nasce por aqui (coisas do verão no hemisfério norte). Mas como estava muito cedo, e eu ainda estava muito cansado e precisando me adaptar ao novo fuso horário, voltei a dormir e acordar novamente 3 horas depois, com um lindo ceu azul e um sol radiante esperando lá fora. Bem, os dias ensolarados aqui são raros (algo que alguém que já morou em Curitiba não estranha), então o mais correto a fazer é aproveitar. Carpe diem! A começar pela cidade onde estou, Milton Keynes.

Há vários aspectos interessantes sobre Milton Keynes. Primeiro, a cidade é totalmente planejada, minuciosamente pensada para acomodar até 250 mil pessoas. As vias principais são exatamente paralelas e transversais, devidamente numeradas, algo que faria qualquer matemático se sentir em casa (tanto é que as vias são chamadas H1, H2, V1, V2, etc). Cada “quadrante” delimita, por assim dizer, um bairro, que por sua vez se parece muito com os condomínios fechados no Brasil, todavia são abertos. Dentro dos quadrantes, existem as áreas residencial e comercial, cada qual com seus conjuntos de escolas, mercado, lojas, restaurantes, de tal forma que as pessoas se adaptam a viver dentro dos quadrantes no dia a dia, saindo apenas quando é necessário (o que ajuda a reduzir significativamente o trânsito de pessoas durante o dia). No entanto, é claro, existe um centro comercial, digamos assim, que serve toda a cidade, com restaurantes, bares (aqui denominados “pubs”), locais de lazer, mercados e lojas maiores, onde o pessoal vai “passear” nos fins de semana. Existe até mesmo uma pista coberta de esqui (pasmem, algo que demorei a acreditar, pensando que se tratasse apenas de uma pista de patinação no gelo). O planejamento da cidade é algo surpreendente de fato, e vale um post futuro.

O ponto alto do dia foi uma visita ao centro histórico de Milton Keynes para entender a expressão “cock and bull story¨ (estória de galo e touro), que é comumente usada para rotular uma estória absurda, inacreditável, algo que nós no Brasil diríamos “isto tem cheiro de lenda”. Bem, esta expressão nasceu em Milton Keynes. A cidade fica a meio caminho entre importantes cidades da Inglaterra, como Londres, Nothingam e Birmingham. Há alguns séculos atrás (a estrada foi aberta pelos romanos, então a conta é longa), era comum os viajantes pararem onde hoje é Milton Keynes para trocar os cavalos e passar a noite. Como muitos viajantes se encontravam em um mesmo lugar, eles começavam a contar estórias de suas cidades, que por sua vez eram “ampliadas” pelos outros viajantes quando passadas de boca em boca, até se tornarem contos absurdos, que ninguém poderia dar crédito. Estes viajantes comiam e se hospedavam em pousadas, e as duas principais pousadas na época eram o Cock e o Bull (que foram conservadas até hoje e aparecem nas fotos acima). Por isso, quando se ouve hoje alguma estória absurda, se dá risada e diz “that is a Cock and Bull story, nothing more”.

Amanhã, o novato fará seu primeiro passeio solo pela vizinhaça, para documentar o “quadrante” onde está hospedado. Para um novato, com certeza vai valer a pena.

Pousando no Velho Mundo

Milton Keynes, 22h30 minutos, hora local. Após um longo dia, cheguei a Europa! Estou extremamente empolgado, mas exausto fisicamente e por pouco não fui pra cama sem escrever este post. Quero, todavia, fazer desse blog um relato de viagem, assim não poderia deixar de postar as emoções do dia.

Foram 6 horas de aeroporto (entre esperas, checkin e checkout) mais 12 horas de vôo, sem contar os deslocamentos de taxi e ônibus e a nítida evidência de que estou sofrendo de “jat lag” (isso é apenas pra encher linguiça, a sensação na realidade é otima!!!). Realmente, a viagem cruzando o Atlântico foi dureza, a gente não consegue dormir, perde a noção do tempo e em certo momento você não sabe se está com fome ou não, se está com sono ou não, enfim, a desorientação chega a ser cômica. Assisti uns 3 filmes, li um pouco, cochilei do jeito que era possível e até fiquei fazendo alongamento na fila do banheiro (é incrivel como as pessoas demoram em banheiro de avião, dá a impressão que é apenas para brincar com a descarga que parece despressurizar o banheiro inteiro)

A entrevista na imigração foi tranquila, nada que pudesse de fato preocupar. Fizeram-me diversas perguntas, algumas já previstas, outras nem tanto. Queriam saber o que eu ia fazer, onde ia ficar, quando ia embora, se tinha dinheiro para me manter por aqui neste período, entre outras coisas. Quando falei que pretendo ficar por aproximadamente 2 meses, o agente de imigração disse que era um período muito longo para férias, queria saber quando eu ia voltar a trabalhar, e por aí vai. No final, ele carimbou meu passaporte e a partir daí, não houve mais qualquer problema. Uma coisa é certa, simpatia não é a marca registrada desta experiência no Reino Unido. É bom estar com a cuca fresca na hora de responder as perguntas. Percebi algumas pessoas que se complicavam em dar informações e acabavam “ficando de castigo” (eles literalmente deixavam o cara lá no guichê esperando e iam atender outras pessoas).

No mais, encontrei com minha irmã e meu cunhado no aeroporto em Londres, e viemos para Milton Keynes, uma viagem de aproximadamente 1 hora e meia de carro. Tem muita coisa pra contar sobre isso, mas por hoje não dá, preciso dormir um pouco. Amanhã retomo a epopéia.

Hora de voar…

Guarulhos, 21h05. Ainda preciso esperar mais 2 horas e meia. O jeito foi arrumar um cartãozinho de internet pra passar o tempo, e aproveitar para atualizar o blog.

Bom, acho que Guarulhos não é novidade pra ninguém. Nem vale a pena postar fotos. Eu mesmo já estive aqui várias vezes em trânsito em vôos domésticos. Mas, de qualquer forma, este é o maior aeroporto do pais em número de passageiros, e as vezes a gente não se toca disso. Mais de 2 milhões de pessoas passam por aqui em um mês.

Hoje eu sou uma delas. À minha esquerda, a pouco, dois garotos conversavam em alemão; à frente uma senhora corria atrás de duas crianças espoletas acelerando um carrinho de bagagem e gritando “here we go, here we go!!!” e uma moça que vive em Paris me perguntou como fazia pra acessar a internet do Aeroporto. Bem, ainda estamos no Brasil, mas o ambiente já é multicultural, uma pequena amostra do que me espera nos próximos dias.

Fiz este relato pensando em deixar uma recordação deste momento para o futuro. Provavelmente daqui a alguns anos vou dar risada do friozinho na barriga que estou sentindo agora, enquanto reviso mentalmente minhas frases ensaiadas para a imigração no Reino Unido: “I am here for a vacation trip. I will stay in United Kingdom just for a few weeks, visiting my sister and my brother in law. My return is already scheduled to July 8″.

Amanhã eu conto se fui convincente ou não.

God save the Queen!

 A epopéia do novato começa oficialmente amanhã. Embarco para Londres às 23h40 do dia 18/05 e devo chegar lá por volta das 15h00 do dia seguinte. Será o momento das emoções mais fortes: fila de imigração, entrevista com os agentes da alfândega, necessidade de explicar de forma convincente que não pretendo me tornar um clandestino. Mas isso fica para amanhã. Por hoje, decidi contar um pouco sobre minha experiência com libras e euros.

Bem, a primeira coisa que se descobre é que existe três formas de levar dinheiro para turismo no exterior: moeda em espécie, cheque viagem e cartão de crédito. Cada um tem vantagens e desvantagens que não vou detalhar porque há muito sobre o assunto em uma simples consulta ao Google. Entretanto, um quarto modo que me chamou a atenção foram os cartões pré-pagos, que segundo conclui são uma forma inteligente de combinar as melhores características dos outros três modos.

No Brasil, parece que o principal produto é o Visa Travel Money. Você faz uma carga no cartão em uma moeda específica, pagando a cotação do dia, e utiliza o mesmo na moeda para a qual realizou a conversão. Não há taxas cambiais adicionais, exceto aquelas cobradas pela própria Visa para saques (eles fixam em 2,50 euros cada saque) e talvez uma taxa do banco que te vende o produto. A principio, quase contratei o cartão do Banco Rendimento, mas em seguida descobri que o Banco do Brasil também já está oferecendo este tipo de cartão. Como eu já era correntista casino spiele do BB, foi uma mão na roda, inclusive com taxas de cambio bem competitivas. Posso efetuar as cargas diretamente de minha conta corrente, mas não pela internet; tem que ser pelo serviço BB por telefones.

O único porém com o Banco do Brasil foi o fato deles não disporem de um cartão com carga em libras esterlinas. Mas aí contei com a sorte: um amigo estava precisando vender algumas libras remanescentes de sua última viagem ao Reino Unido, e assim juntamos a fome com a vontade de comer. Sigo viagem com algumas libras no bolso, suficientes para as primeiras despesas e um cartão pré-pago em euros. E é claro, um cartão de crédito internacional em caso de necessidades extras.

Bem, é isso. Estampado neste post, minhas primeiras 10 libras, com a foto da simpática rainha Elizabeth. God save the Queen!

Primeiros passos

Tenho 32 anos e não conheço a Europa. Pra dizer a verdade, não conheço outros países além dos vizinhos do Brasil. Até pouco tempo atrás, viagens internacionais eram um luxo para mim, assim como para muitos brasileiros ainda é.

Após algumas mudanças radicais em minha vida, decidi que era hora de viajar, sair do conforto do meu quadrado e por o pé na estrada. E o primeiro destino: a Europa. Primeiro, porque é onde vive minha irmã, a quem não vejo há 5 anos. Segundo, porque sempre sonhei com a Europa.

Quando eu era criança, brincava com um jogo de tabuleiro onde, lançando dados, se percorria en variadas rotas as cidades da Europa, e em cada uma delas alguma surpresa (boa ou nem tão boa assim) te aguardava. Foi assim que decorei muitas cidades, suas características e os atrativos que possuem. Há 8 anos, quando terminei meu mestrado, estava decidido a tentar um doutorado na Alemanha. Mas financeiramente era proibitivo. Fui deixando a idéia de lado, fui levando a vida, mas agora os sonhos voltam com mais força do que nunca

Bem, estou de passagem marcada. Dia 18, embarco rumo a Londres, tendo como primeira parada a casa da minha irmã. Sei que isso facilita muito as coisas. Por exemplo, nem sequer me preocupei em montar o itinerário com antecedência. Deixei pra fazer isso lá, com uma ajuda especial da irmãzinha, que já fez algumas “mochiladas” pelo Velho Mundo.

A idéia é fazer deste blog um diário de viagem, um registro de todas as descobertas (mesmo aqueles que significarem “pagar um mico”). Acredito que este registro será de grande valia para mim mesmo no futuro, como lembrança, recordação, e talvez mesmo algum amigo ou curioso se anime a lê-lo, quem sabe possa mesmo vir a ser útil para alguém na mesma situação, daqui há alguns anos…

{9/365}Portmeirion 2007

Photos e Fatos posted a photo:

{9/365}Portmeirion 2007

This was our last trip in my father in law’s company, it was a weekend to celebrate his birthday in 2007. Exactly an year latter his died of cancer. For this reason Portmeirion became a very special place for us. We are planning to come back there this year, and I will this time take more care of my pictures.

{6/365} Someone’s Wedding Bouquet

Photos e Fatos posted a photo:

{6/365} Someone's Wedding Bouquet

Summer 2006, it was a very strange time. My mother had passed away early that year, and I was not in the mood for celebrating anything. But people carried on living their lives, as always, and sometimes you have to just accept that even though you feel as if you are the saddest person in the world, for some it is time to celebrate, and you just have to fake a smile and go on.