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Rapidas

The Black Country

Você já teve a sensação de voltar no tempo? Ou de que o tempo parou a sua volta, como se as coisas velhas de repente se tornassem novinhas em folha? Bem, este é o conceito do Black Country, algo que no primeiro momento soou para o novato como uma possível região do Reino Unido com uma forte imigração africana, mas logo o Stuart tratou de explicar qualquer mal entendido e esclarecer o que significa The Black Country.

Este é o nome dado a uma região próxima à cidade de Birmingham (que é a segunda mais importante cidade da Inglaterra, e o novato pensava que era Manchester), onde a Revolução Industrial começou, com forte atividade na exploração de carvão mineral. Segundo conta a lenda, nessa região o céu era tão escuro devido à fumaça das indústrias que local foi denominado The Black Country. Mas esta versão é de fato questionada. Alguns atribuem o nome ao solo escuro (devido à abundância do carvão) ou simplesmente a alguma história de Cock and Bull que algum viajante contou um dia.
Após a breve explicação, visitamos o The Black Country Live Museum, e aí vem a parte legal: é um museu vivo, algo que eu ainda não tinha visto. Além das tradicionais exposições que se esperaria encontrar em um museu como esse (máquinas, instrumentos, materiais e fotos da época), você encontra toda uma vila mantida exatamente como era naquele tempo, incluindo seus habitantes. Voluntários se refazam nessa tarefa, fazendo a vez de moradores e trabalhadores. Você pode entrar em uma casa, por exemplo, e encontrar uma família preparando o almoço usando os mesmos fogões de ferro da época, que são mantidos em perfeito estado, como se fossem novos. E por falar em perfeito estado, é impressionante ver as motocicletas e automóveis da época, transitando pelas ruas, como se fossem zero. Inclusive existe dentro do museu uma oficina exclusiva para manter estes veículos funcionando, produzindo peças originais para eventuais reparos. E se você passa pelas lojas, vai encontrar a venda os mesmos artigos que se vendiam na época (de sapatos a compotas de doce), com os mesmos valores, considerando a antiga e complexa moeda britânica do século XVIII (que por si só, vale um post explicar a relação entre penny + shilling+ pound + …). E não é só isso, o Black Country ainda tem seu próprio dialeto. Você houve as pessoas conversando e jura que aquilo é qualquer língua, menos o inglês. Aos desavisados, é possível encontrar logo na entrada do museu mini-dicionários para que você não fique tão perdido com as novas palavras. Mas para o novato, infelizmente isso não surtiu muito efeito, ele precisou do Stuart para traduzir algumas coisas para o inglês normal.
Uma parte muito legal do passeio é encontrar voluntários já bem velhinhos que explicam que participam deste projeto porque a casa onde estão “encenando” pertencia ao seu avô ou bisavô, e que ele se dedica a tal tarefa como uma forma de manter viva a memória da família. Além de tuda a informação que um museu vivo pode trazer, ele alimenta de forma muito positiva o sentimento de pertencer a um grupo, de ser parte de uma história. Gostei!

Nottingham

Hoje fiz um passeio relâmpago à cidade de Nottingham (isso mesmo, a cidade relacionada à famosa lenda de Robin Hood). Digo passeio relâmpago porque meu objetivo primário não era conhecer a cidade, e sim visitar um amigo que trabalha na Universidade de Nottingham como pesquisador na área de georeferenciamento, mais especificamente, GPS. Após conhecer o laboratório onde ele desenvolve as pesquisas e poder ver de perto alguns equipamentos relacionados ao Projeto Galileu, almoçamos juntos no Campus Jubileum e eu segui o meu caminho, porque meu amigo tinha seus compromissos profissionais.

Bem, um breve overview sobre Nottingham. Diferente das demais cidades históricas que pude visitar no Reino Unido, Nottigham mescla muito bem a antiga arquitetura medieval com as construções mais recentes do período vitoriano. A sensação e de estar em uma cidade moderna mesmo, muito similar aos demais centros urbanos aos quais estamos acostumados. Entre um quarteirão e outro você dá de cara com uma torre antiga, ou um muro de pedra que se percebe que está lá há muito tempo. Também me chamou atenção os aclives e declives, pois até então por todo o lugar onde eu passava, estava acostumado à paisagem plana. Nottingham é cheia de morros, e algumas construções exploram isso muito bem em sua localização.

Parque da Universidade de Nottingham
A lenda de Robin Hood é visivelmente explorada na cidade. O Castelo de Notthingam (possivel residência do vilão desta história) está lá, bem no centro da cidade e em destaque. Para quem quiser visitar. Vários estabelecimentos, desde os pubs aos mercados, exploram os nomes dos personagens (Robin, Little John, etc) e até passei por uma rua chamada Maid Marion. E, é claro , vários convites espalhados pela cidade para se conhecer a famosa Floresta de Sherwood, onde o destemido herói teria seu refúgio e segurança contra o temido Sherif de Nottingham.
Lendas a parte, a Universidade de Nottingham é bem real, novamente um grandioso exemplo do quanto as universidades são valorizadas por aqui e, embora o custo seja exorbitante, tudo que se vê indica que claramente que o mesmo é revertido para a qualidade da educação dos alunos. O campus é extraordinário, com construções modernas e um imenso parque com lago logo na entrada principal. Como hoje foi um dia ensolarado de verão, o parque estava cheio de estudantes aproveitando o dia e caminhadas e passeios de barco, ou simplesmente deitados na relva, e diversos deles com um livro na mão.
E para ilustrar o dia, uma foto tirada do parque da universidade, que dá uma idéia muito boa de como seria uma imagem real de Robin Hood e Maid Marion em um romântico passeio de barco, séculos atrás.

Londres – Dia 2

Roseta Stone (British Museum)
O novato não aguentou e voltou a Londres hoje. E voltou com um plano todo elaborado, de visitar uma serie de lugares interessantes próximos à Euston Station, estação de trem onde desembarcam as pessoas que vêm de Milton Keynes. Mas o plano furou. O novato não contava com uma coisa: o British Museum.

O British Museum é algo tão impressionante que faz o MASP parecer biblioteca de escola (com todo o respeito ao maior museu que temos no Brasil). Embora as galerias estejam organizadas por continentes e em alguns casos por países, o museu é muito amplo e muito voltado a história. Nunca antes na vida eu tinha visto tantas múmias! Uma pena que as fotos com elas não ficaram tão boas (e eu bem que queria finalmente conseguir algumas fotos com alguém mais feio que eu).

O museu existe desde o o final do século XVII, e a visitação é gratuita (tudo a ver comigo), mas existe um gentil pedido por contribuições (muito polido, bem ao estilo britânico), o que é mais do que justo. Muitas das peças foram trazidas na época das grandes expedições arqueológicas promovidas pelos ingleses, tirando proveito dos anos áureos da navegação britânica nos séculos seguintes. O acervo de artefatos egípcios, sírios, babilônicos, persas e gregos é algo fantastico, isso sem esquecer os artefatos ligados aos povos americanos pré-colombianos (tirei foto até com um moai da Ilha de Páscoa). A gente fica perdido e não vê o tempo passar (so sente as pernas doerem de tanto ficar em pé). Eu havia planejado o passeio para a parte da manhã, mas fiquei o dia todo, e ainda saí frustrado por não conseguir chegar na galeria chinesa a tempo. Há mais fotos no meu perfil do facebook, para os fins de museus.
A peça mais importante do museu (pelo menos em minha humilde opinião) é a Pedra da Roseta, que ilustra o post de hoje. Acho que todos sabem o valor incálculavel que essa pedra teve para a tradução dos hieroglifos egípcios por Champollion . Praticamente, a pedra coloca lado a lado texto em hieroglifos com a correspondente versão escrita em idiomas conhecidos da época, entre eles o grego (aí ficou fácil!).

Terminei o dia com uma breve caminhada pelas ruas de Londres, passando pela Praça Russel (e muito divertido ver os londrinos ao final do dia tomando sol nos gramados das praças) e pela London University. Em seguida, trem pra Milton Keynes e uma boa noite de sono, que amanhã tem mais.

Sincronizando os relógios

Os últimos dias têm sido um tanto tranquilos. Precisava de tempo para elaborar os próximos passos e definir a parte mais esperada da viagem, que é ir além das fronteiras do Reino Unido. Nada mais propício, então, do que ilustrar este post com a foto do relógio de Greenwich. É este o relógio com o qual, em conformidade com a geografia moderna, o mundo sincroniza seus relógios. Alias, Greenwich é um lugar muito bacana, preciso escrever um post só sobre isso.
Uma vez que o roteiro está praticamente pronto, achei que seria interessante repassar alguns detalhes neste post, que talvez sirvam de auxílio para outro novato no futuro. Algumas coisas que já sabia, outras que descobri quando já estava por aqui, e decisões de viagem que estou fazendo simplesmente por escolha pessoal, ou seja, nada que possa ser indicado como uma boa idéia para qualquer um em qualquer momento.
Primeiramente, a forma de viajar. Decidi viajar de trem. Quem pesquisar na internet vai logo perceber que hoje a maioria dos viajantes experts em Europa recomendam não viajar de trem, e sim de avião. E de fato, passagens áreas tem um custo muito competitivo por aqui, mas em contrapartida algumas restrições. A primeira delas, a bagagem, ainda que isto não seja um problema para os mochileiros (com exceção às pessoas que insistem em levar secador de cabelo, pranchinha, shampoo, cremes, barbeador e tudo mais). A segunda, e a mais complicada, é que os vôos de baixo custo são entre aeroportos distantes das cidades, e nem todos eles dispõem de transporte barato para os pontos de hospedagem e turismo; em contrapartida, as estações de trem estão muito bem localizadas e, nos grandes centros, integradas também à rede de metro. E por último (o que pesou mais pra mim), da janela do trem da pra ver muito mais coisas do que da janelinha do avião. Então, tenho pela frente quase 20 dias de longas viagens de trem e muitas paisagens da parte central da Europa.
Outro aspecto importante: onde se hospedar. Infelizmente, estou viajando sozinho e isso dificulta bastante as coisas. Mesmo que os hostels sejam a melhor opção, seria bem mais adequado estar viajando em grupo, pois é possível alugar quartos para três ou quatro pessoas quase pelo mesmo preço que estarei pagando para ficar em um quarto compartilhado. Os preços dos hostels são muito interessantes com relação aos demais hoteis da Europa, mas ainda assim são salgados, especialmente na Inglaterra, se considerarmos a realidade de brasileiros. Mas, ao mesmo tempo, estes tem em seu favor a publicidade de promover a integração entre os viajantes, criar um espaço de aproximação para fazer amigos e conhecer gente nova. E, particularmente, estou em um momento bem propício a esse tipo de aventura.

Fico no Reino Unido ainda por uma semana. Volto a Londres para um dia de museu, vou a Nottingham conversar com um amigo que é professor na universidade de lá e no final de semana, teremos um passeio de dois dias pelo interior do país, visitando os familiares do Stuart. E negócio é aproveitar os próximos 7 dias.

Cambridge

Hoje foi a vez de Cambridge. E diga-se logo de cara, uma cidade interessante e acolhedora. Estou me sentindo muito orgulhoso de, em minha primeira semana no Reino Unido, ter visitado duas universidades que estão entre as mais famosas do mundo e onde qualquer pessoa que aprecie o conhecimento, incluindo entre elas o novato, um dia já sonhou estudar.

Stuart e eu, sobre a ponte do Rio Cam

Vamos começar pelo nome, também. Cambridge = Cam + Bridge = Ponte do [Rio] Cam. Este é o rio que corta a cidade, e nada melhor para ilustrar este post do que a foto da ponte que originou o nome da cidade. E tal como Oxford, as origens da cidade vêm desde a época dos romanos, enquanto a universidade teria sido fundada por estudantes que fugiram de Oxford e um período de guerras por lá, isso por volta do início do século XIII.

Algo muito legal do passeio de hoje é que o Stuart estudou Engenharia em Cambridge, então tive a orientação de um guia de primeira classe. Além disso, a oportunidade de conhecer por dentro o Peterhouse College, que é o mais antigo colegge que ainda existe em Cambridge, fundado em 1284. Tudo isso porque o Stuart, como ex-aluno, tem acesso livre e pôde nos levar com ele para conhecer. Ao observar-se tudo a minha volta, as antigas construções de pedra, a capela onde as pessoas se sentam de frente umas para as outras em duas linhas paralelas de bancos e o salão de refeições que parece ter sido tirado dos livros do Harry Potter, a gente percebe o quanto de história existe ali e quanta gente brilhante já passou por aqueles bancos.

No mais, uma boa caminhada pela cidade e uma sensação de qualidade de vida, pois embora haja bastantes turistas, é possível ver também muitas famílias, casais com crianças pequenas, mostrando que o local é realmente aprazível para se viver e oferece um bom padrão de qualidade de vida. Assim como ocorreu em Oxford, o novato ficou com vontade de ficar por lá. Mas a viagem continua.

Londres – Dia 1

Só tenho uma palavra para Londres: impressionante. Tudo que se vê, tudo que se sente, tudo que descobre estão acima das expectativas (inclusive os preços). Mesmo com o clima nada amistoso, sensação térmica de 8ºC e uma sequência intercalada de pelo menos 5 chuvas (e 3 delas bem fortes). Este foi o passeio do dia, vamos tentar resumir em poucas palavras.
O novato, na companhia de sua adorável e paciente irmã, pegou o trem às 8h40 na estação central de Milton Keynes. Após um viagem rápida (aproximadamente 50 minutos), desembarcaram na estação de Euston, em Londres.
Do trem, direto para o metrô, chamado pelos ingleses de tube. E aí se descobre que são tantas as linhas de metrô disponíveis que é possível se chegar a praticamente qualquer lugar da cidade, apenas pelo metrô. Fica prático então comprar um bilhete que vale para o dia todo, ou seja, independente do número de viagens que se faz, se paga a mesma coisa (algo em torno de R$ 18,00 se fizermos a conversão do câmbio).
Nossa primeira parada foi na estação Green Park, onde após uma caminhada curta por um parque tipicamente inglês, damos de cara com o Palácio de Buckingham, e bem a tempo para acompanhar a tradicional cerimônia de troca da guarda real. Mas a coisa estava tão movimentada por lá (o Obama soube que eu estaria em Londres hoje e decidiu ir visitar a rainha antes de mim, que coisa) que não ficamos muito tempo, e partimos para o centro da cidade, em direção ao Rio Tâmisa.
A partir daí, uma rápida sucessão de cartões postais em poucos minutos, incluindo a Abadia de Westminster, o Big Ben, o Parlamento Inglês e a London Eye (famosa roda gigante de Londres). É tanta coisa pra tirar foto que a gente perde a noção do tempo. Após almoçar, fizemos um passeio de barco pelo Rio Tâmisa, passando pela Torre de Londres e pela famosa Ponte de Londres.
Tentamos correr para chegar a tempo de visitar Grenwich, onde há um pequeno museu, a Escola Naval de Londres, um observatório e um marco do meridiano de Greenwich, onde é possível colocar um pé de cada lado da linha imaginária que divide o oriente e o ocidente (em tese).

Voltamos de barco até a ponte de Londres para mais algumas fotos e uma volta de onibus e caminhada até o Picadilly Place, o coração comercial de Londres. Cansados, famintos e sem baterias nas máquinas, finalizamos o passeio por ali, fazendo todo o caminho de volta. O novato conclui que é muita cidade para um dia só, e será preciso voltar em breve a Londres para tentar descobrir um pouco mais.

Oxford

Bicho simpático o Ornitorrinco, razão para muitas perguntas

??Preciso dizer logo de início que Oxford tornou-se um problema sério para o novato. O problema é que é um local tão manero que o novato quis ficar estudando por lá. Mas não tem como, até porque se fosse só querer a coisa ainda era simples. Mas você não escolhe Oxford, Oxford escolhe você! E o local parece realmente perfeito pra quem algum dia já sonhou em estudar lá.

Vamos começar pelo nome: Oxford = Ox + Ford = Passagem de Boi (bom, passagem foi uma tradução livre de minha parte, e para não ter dúvida segue a Wikipedia de a ford, que a gente já viu em diversos lugares no Brasil mas nunca ninguém me falou que aquilo era um “ford”). O nome se origina lá do século 9 AD, quando o local era uma famosa passagem de travessia para bois e viria se tornar um importante centro militar e uma referência para educação formal a partir do século 11,
O interessante na cidade são as estruturas da própria Universidade, os colégios e os museus. Há muitas construções antigas relacionadas aos dois primeiros, sendo que a referência mais antiga à universidade é do século 12. O campus universitário se confunde com a própria cidade, pois as faculdades são dispersas. Visitei apenas a área de Ciências Exatas (por motivos óbvios) e acidentalmente a Faculdade de História (nada contra os historiadores, apenas passei em frente ao prédio e aproveitei para registrar). 

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Os museus são um show a parte, mas consegui visitar apenas dois e meio (definitivamente, não dá pra ver tudo que se quer em apenas um dia). Nos museus é mais dificil tirar fotos, mas dei sorte em escolher o Museu Pitt Rivers, de história natural. Uma excelente coleção de dinos e alguns bichinhos empalhados que até então é só tinha visto em foto. Entre eles, o ornitorrinco, um dos meus bichos favoritos e muito bem explorado em minhas ilustrações de teorias conspiratórias quanto à origem das espécies. No último museu que visitei, fui até lá exclusivamente para ver um quadro negro usado pelo Einstein em uma de suas aulas em Oxford. O quadro não foi apagado, e está exposto (obviamente, protegido por um vidro e devidamente condicionado) para os visitantes. Eu queria muito ter conseguido uma foto do quadro, mas a única que consegui bater quando o guarda não estava olhando não ficou boa, por causa da vidro… Uma pena. Mas consegui ver o quadro, já levo comigo a imagem eternizada.
Fechando o dia, Oxford realmente valeu a pena, e foi um interessante programa pra se fazer no Dia do Orgulho Nerd. That is all, folks! Amanhã, Londres.

Warwickshire

Hoje foi um dia bem diferente, eu diria, bem ao meu estilo. O novato começou cedo, às 6h30 da manhã, pegando carona com o Stuart até a cidade de Warwickshire, cerca de uns 60 km de Milton Keynes. Motivo: uma conference sobre MATLAB e um museu de automóveis para visitar.

Descubra como o novato encontrou o Mestre Yoda
Primeiro, vamos explicar o que é o MATLAB (afinal, não precisa ser engenheiro pra ler este blog). O MATLAB é um software famoso entre o pessoal da engenharia por incorporar um série de ferramentas computacionais que permitem simular praticamente tudo que se imagine em termos de ciências exatas, desde um motor até um sistema planetário completo. Usei o MATLAB durante o mestrado, sempre achei uma ferramenta muito legal mas, infelizmente, pouco indicada para se desenvolver software comercial. Entretanto, em termos de computação científica, o produto é bom mesmo. Assim, graças ao Stuart (que efetivamente trabalha com o MATLAB no dia a dia), aproveitei a conferência para atualizar meus conhecimentos e principalmente treinar o inglês .

O grande barato do dia, no entanto, era o Heritage Motor Centre, o museu de automóveis situado no mesmo prédio onde a conference foi realizada. Assim, aproveitei a hora do almoço pra marcar presença. Realmente, muita coisa pra ver (vale lembrar que é um museu de automóveis britânicos). Logo na entrada um Austin Healey MK3 vermelho, de 1966 (dá até vontade de entrar dentro pra tirar uma foto). Mas o acervo inclui desde os primeiros modelos Austin fabricados em 18.. até modelos esportivos recentes, de 2007 e 2008 (inclusive Fórmula 1). Postei as fotos em um album do facebook, e não que eu seja um bom fotógrafo, mas elas estão melhores que as fotos disponíbilizadas no site do museu. Vale a pena conferir.

E quando o novato pensou que já tinha visto tudo que podia ver hoje, ele deu de cara com uma exposição de bonecos e fantasias de filmes de ficção científica. Prato cheio pra fechar o dia de MATLAB. Corri para conferir e tirar fotos de heróis e vilões memoráveis do cinema. Os personagens de Star Wars, então, todos devidamente ambientados conforme os planetas de origem (ou quase), em tamanho natural, incluindo algumas indumentárias rotuladas como originais do própria filme. É por isso que o Mestre Yoda ganha destaque na foto do dia. Afinal, depois do Dr. Jetro (quem lê, entenda), ele é o ser imaginário mais sábio do universo!

Amanhã, Oxford!

Um campo, uma história e uma pergunta

Hoje o novato ficou em casa, decidiu aproveitar o dia para contatar alguns amigos no Brasil e planejar as atividades da semana.

Mas, seguindo o propósito de atualizar o blog diariamente, decidi dedicar este post a algo que vi ontem, em Bedford, e que achei muito bonito.  Trata-se de um campo para caminhada aberto ao público (a public footpath) que fica praticamente em frente à casa sobre a qual escrevi ontem. O mesmo pode ser visto na foto ao lado.

Olhando-se esta foto, em um primeiro momento, parece que estamos vendo um simples campo. Mas quando se lê os dizeres da placa (você também consegue, é só dar um zoom e praticar um pouco o inglês), percebe-se que há muita história ali.

A placa diz que em 9 de setembro de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, um bombadeiro inglês foi abatido e caiu neste campo. Dois soldados morreram, eles tinham apenas 23 e 20. Outros dois soldados sobreviveram à queda, e foram resgatados. A história termina com os dizeres: “Quando passar por este campo, lembre-se destes dois jovens soldados que fizeram o último sacrifício por seu país e por nosso futuro”.

A última Grande Guerra realmente foi algo marcante para toda a Europa e mesmo quase 70 anos depois ainda é possível encontrar muitas recordações como esta por aqui. Talvez para nós, brasileiros, isso pareça um tanto distante, pois se pararmos para refletir, vivemos em um país onde lutamos muito pouco, de fato, por nossa liberdade. Talvez por isso sejamos um povo que aceita tanta leviandade de nossos governantes e líderes; talvez nos falte entender o quanto custa a liberdade, compreensão essa que somente aqueles que um dia a perderam de fato conseguem alcançar.

Enquanto contemplava o campo, mentalizei a guerra, a cena do avião caindo em meio às chamas, dos dois jovens que perderam a vida, dos outros dois que foram salvos, talvez dos moradores correndo para socorrê-los… Por que as situações difíceis têm tanto poder para unir os homens em um único pensamento? Acho que temos muito ainda a refletir sobre isso.

Dia de churrasco

Sendo abençoado mais uma vez com um belo dia de sol (embora hoje o famoso mau tempo da Inglaterra tenha dado as caras por aqui na parte da tarde), tive a oportunidade de participar de um churrasco tipicamente britânico, realizado na casa da Denise e do Andrew, amigos da Alessandra e do Stuart (apenas relembrando, Alessandra é minha irmã e Stuart seu marido).

Antes mesmo de sair de casa, o novato foi advertido que churrasco (barbecue) por aqui não tem nada a ver com o churrasco que os brasileiros estão acostumados. A carne assada se reduz a salsichas, alguns hamburguers ou algo de gênero. Nem tão pouco é preparado na churrasqueira que nós conhecemos. Pode ter sido feito a forno, mesmo. Na verdade, o churrasco se parece mais com o que chamamos de “junta panelas”, cada um prepara algo especial e todos compartilham a refeição no jardim. O grande barato, no entanto, é poder observar essa confraternização entre as pessoas e perceber que amigos são amigos em qualquer lugar do mundo: riem juntos, fazem piadas uns dos outros, contam estórias e trocam abraços.

Um ponto que me chamou a atenção foi a postura do anfitrião, o Andrew, que ao saber previamente que o novato brasileiro estaria presente, fez questão de lhe dar toda a atenção, conversando em inglês de forma bem pausada e mesmo falando algumas frases em português. Mas mais do que isso, ele estava muito bem informado sobre diversos assuntos do Brasil (politica, geografia, problemas sociais, futebol e etc) sobre os quais conversamos e fiquei até um pouco envergonhado de não conhecer suficente sobre o Reino Unido para retribuir-lhe a bondade. Mais tarde, fiquei sabendo que ele já esteve no Brasil e inclusive mantém contato permanente com alguns amigos brasileiros. Esta foi uma surpresa muito boa, uma excelente impressão quanto a educação e gentileza do povo britânico.

No final da festa, caminhamos um pouco pelas ruas, para registrar mais fotos e recordações, e me chamou a atenção a idade das casas. A casa onde estávamos foi construída em 1854, ou seja, tem mais de 150 anos, e a estrutura continua firme. Diferentes gerações de diferentes famílias moraram ali, e a única queixa da dona da casa é que a mesma é fria no inverno, porque as paredes não foram construídas com a mesma ténica que se utiliza hoje. A casa pode ser vista na foto acima e o detalhe da fachada revela o ano em que a casa foi erguida. Eu já havia visto muitas construções antigas preservadas como monumentos, mas nenhuma em pleno uso, como o caso dessas casas.

Por hoje é só. Tem muita coisa planejada para esta semana, incluindo uma conferência técnica sobre MATLAB e uma visita a Oxford. Portanto, hora de dormir…

Anal