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Rapidas

Roma e o menor país do mundo

Piasa San Pietro, Vaticano

Hoje o novato começa assumindo, antes de mais nada, que Roma conseguiu dar uma canseira nele. E devido a vários aspectos. Hoje, ao final do passeio, as pernas pensavam bem mas do que de costume, e mesmo que o hostel que estou hospedado não seja lá essas coisas, senti vontade de chegar o quanto antes nele. Bem, vamos aos assuntos.

Roma está me fazendo sentir novamente no Brasil, tanto por razões positivas como negativas. Primeiro, pelo jeito malandro do italiano, que apenas reforça minha tese de que muito do jeitinho brasileiro foi incorporado ao nosso DNA dada a forte imigração italiana ao Brasil. Por aqui se faz tudo para ganhar uns trocos dos turistas, desde se vestir de gladiador para posar pras fotos até colocar nos banheiros máquinas de moedas que não dão troco, obrigando você a ter uma quantia certa de 80 centavos ou entao deixar 20 centavos de gorjeta, se tiver apenas moedas de 1 euro. Outra coisa: acho que existem mais filas em Roma do que no Brasil. É fila pra entrar nos lugares, fila pra comprar ingressos para entrar nos lugares, fila pra pedir informações sobre onde se compram os ingressos, enfim, se bobear tem até fila pra entrar na fila. Só para se dar uma idéia, a fila para entrar na Capela Sistina é de 2 a 3 horas (e tem italiano que vende ingressos VIP para não pegar fila, por 4 vezes o valor do ingresso normal). É bem verdade que tudo isso gira em torno da assombrosa quantidade de turistas que caminham pela cidade. Dos grandes centros que visitei até o momento, Roma é de longe o mais movimentado de todos.

Mas vamos às coisas boas! Há muito por se ver aqui. Os pontos de visitação se estendem por uma vasta área da cidade, e o relevo formado por montanhas, com subidas e descidas, dificulta bastante percorrer as distâncias a pé. Uma boa pedida é utilizar o metro, que interliga boa parte dos locais de visitação, mas ainda assim muitas vezes é preciso andar (e muito). E uma dica melhor ainda é comprar um Roma Pass, uma espécie de pacote da Secretaria de Turismo de Roma que permite usar o transporte coletivo a vontade durante 3 dias e ainda dá direito ao ingresso em 2 pontos de visitação.

Valendo-me disso, comecei com uma passagem rápida no Coliseu, que fica ao lado de uma estação do metro que leva seu nome. A passagem foi rápida, apenas para se ter uma idéia do tamanho da criança, bem como do Forum Romano, o conjunto de ruínas que fica ao lado do Coliseu e é também aberto a visitação. Depois de estimar o tamanho das filas (que nunca são pequenas) decidi deixar estes dois lugares para o dia seguinte, e ir primeiro ao Vaticano, o menor país do mundo!

O Vaticano fica a uns 500 metros da estação de metro São Pedro, e é fácil chegar caminhando até lá. No caminho, muito italiano te aborda vendendo ticket VIP (aquele que dá direito e furar fila), e às vezes eles usam até de truques, se passando de turistas que querem informação (isso não é a cara do jeitinho brasileiro?). Quando finalmente se entra neste outro país, vê se a Praça São Pedro, que é um troço gigantesco, e a imponência da basílica de São Pedro e do museu do Vaticano. Tirei boas fotos por lá, mas definitivamente desisti da fila para ver a Capela Sistina. Estava um sol muito quente, que não deixava nada a dever ao sol do Rio de Janeiro, e eu decidi gastar minhas 3 horas de fila visitando um um ponto não muito longe dali: o Castelo de São Angelo, cuja fila era de apenas 10 minutos.

Castelo di San Angelo

Este castelo foi construído no século XV, e é portanto relativamente moderno para a cidade. O mesmo é aberto a visitação no modelo de um museu, e você pode ver ao mesmo tempo galerias de exposições nas salas do castelo, bem como visitar o castelo e ver suas peculiaridades, como os dutos de ventilação, as escadarias em espiral, a sala de armas, os muros de proteção, os canhões e catapultas disponíveis para defesa, entre outras coisas. O castelo possui quatro torres laterais e uma central, no topo das quais é possível ter uma boa visão de toda a cidade de Roma, e tirar boas fotos.

Fontana di Trevi

Terminei o dia com uma caminhada que me permitiu passar pelo Panteon (que embora seja um antigo tempo pagão, foi transformado em igreja a muito tempo) e pela Fontana di Trevi, uma bela fonte onde a agua jorra por entre uma grande escultura em mármore. Nos dois lugares, fiquei mais uma vez impressionado com a quantidade de pessoas. Como o acesso aos dois pontos é gratuito, a fila agora era para as fotos.

Cansado de filas e da caminhada, voltei para o hostel e fui pra fila do chuveiro. Ainda bem que as camas não tem fila. Vou tentar descansar o máximo para encarar novas filas amanhã.

Veneza

Uma coisa com certeza é verdade: Veneza é única. Não acredito que exista nada de parecido no mundo. Uma cidade antiga, que por séculos tem sobrevivido entre as águas, onde em algumas das casas a porta dá de cara pro mar, só é possível entrar de barco. O novato apenas ficou chateado porque, por algum motivo ainda não descoberto, perdeu parte de suas fotos (ironicamente as melhores). Mas ainda assim, com um acervo de 200 cliques, foi possível fazer um passeio muito bem aproveitado de 2 dias em Veneza.

Antes, porém, vamos falar um pouco sobre a Itália. Definitivamente, estamos em outro país, talvez até mesmo em outra Europa. Não sei se faz parte da pronúncia do italiano, mas todo mundo tem que falar alto por aqui. E muitas vezes, isso soa mal educado. Mesmo o pessoal que lida diretamente com os turistas parece não ter o hábito de falar em inglês. Eles gritam 3 vezes em italiano com você e depois de se certificarem que você não entende italiano e também não é surdo, eles dizem alguma coisa em inglês, e aí você finalmente compreende o recado. Isso aconteceu comigo em uma das travessias de barco pelos canais. Provavelmente por motivos de segurança, não é permitido permanecer no barco com a mochila nas costas. Entretanto, isso só é visível em um anúncio de 20 cm, sem qualquer palavra (tem apenas e desenho de um homenzinho em pé, com uma mochila nas costas, e um X vermelho). Depois da italiana gritar comigo 3 vezes em italiano, ela me disse “please, Sir, put your bag down, check de advise”. Além disso Ao novato resta apenas dar boas risadas desta situação. Outra coisa que muda muito por aqui são os cheiros. As massas cheiram maravilhosamente bem, e passar em frente a um restaurante italiano é uma tentação. Infelizmente não se pode dizer o mesmo dos banheiros. Até agora são os piores que encontrei na Europa…

Bem, todos sabem que Veneza não tem ruas, mas sim canais. Assim todos os trajetos mais longos são feitos de barco ou nas gôndolas. Os barcos correspondem aos ônibus de transporte público (inclusive tem as linhas de barco, com as paradas e tudo mais); as gôndolas, aos taxis. E ambos são caros. Alíás, Veneza é uma cidade cara, isso é perceptível nos visuais luxuosos das pessoas. Para alguém de mochila nas costas, é negócio é caminhar por onde puder, fazer as travessias pelas pontes e curtir cada detalhe do visual da cidade, que tem todo o seu mistério e encanto. E dito isso, iniciamos nossa caminhada. Digo “iniciamos” porque hoje a menção honrosa do blog vai para a Marina e o Juan, um casal de mexicanos que conheci no hostel e estiveram comigo durante o passeio, dividindo muitas despesas e tirando muitas fotos.

A caminhada não é longa, mas é fácil se perder em tantas ruas e vielas muito parecidas. A gente tenta se orientar por um mapa e pela direção do sol. A cidade é formada por pequenas ilhas, e se estamos a caminhar, as travessias devem ser feitas pelas pontes, de modo que muitas vezes é preciso dar uma volta boa para se visitar alguma construção específica. Mas é exatamente isso que torna o passeio interessante. A cada esquina, você pode se deparar com casas pitorescas tendo roupas penduradas na janela (incluindo roupas íntimas) ou ainda com lojinhas que vendem todo tipo de produtos, incluindo as tradicionais máscaras de viena a camisetas e souveniers.

O ponto alto da cidade é, entretanto, a Piaza San Marco, com uma imensa catedral e uma torre que datam do século XIV. É o ponto mais movimentado da cidade, muita gente fotografando e fazendo fila para os museus que também se encontra na praça. Foi lá que me despedi dos amigos mexicanos perto das 3 horas da tarde e corri novamente para pegar o trem do dia, com destino a nossa próxima parada, mas isso fica pra amanhã.

PS: há muito mais fotos de onde estas saíram. É só verificar no meu perfil do facebook dentro de alguns dias!

Como deixar a Austria

Hoje o novato começa afirmando que foi muito difícil deixar a Austria. Mesmo porque ele escolheu dar o fora pelo lado mais bonito do país, daí é quem nem terminar namoro com uma linda morena de olhos claros, alta e sensual, que te abraça, beija e jura que te ama. Você sabe que tem que fazer isso, mas na hora H falta coragem. Enfim, a Austria é um país lindo, e o trem que parte da Austria para a Italia cortando os Alpes Austriacos é uma viagem inesquecível.

Confesso que a princípio decidi incluir a Austria no roteiro simplesmente para poder fazer esta viagem de trem. É um trajeto longo, de quase 6 horas entre Innsbruck e Veneza, mas que vale a pena para cada minuto que se passa no trem. O díficil é tirar fotos. Primeiro por causa das janelas dos trens, que por mais que a gente se esforce, acabam sempre deixando um reflexo indesejável na paisagem. Segundo, porque é tanta coisa ao mesmo tempo que você fica sem saber o que fotografar primeiro, e acaba perdendo muita coisa. Cliquei quase 500 vezes durante a viagem, e os nativos que seguiam no trem me olhavam com aquela cara de “o que esse novato tá fazendo aqui”?

Parti de Salzburg para Innsbruck, uma viagem de 3 horas que mostra algumas imagens bonitas, mas nada ainda significativo. Em Innsbruck é necessário trocar de trem, e os 30 minutos de parada me deram tempo suficiente para uma foto nerd histórica. Foi em Innsbruck que o Douglas Adams teve a brilhante idéia de escrever o Guia do Mochileiro das Galáxias, então, nada mais adequado do que tirar a toalha da mochila, por na cabeça, e ao lado da plaquinha que identifica a estação, eternizar este momento. Esta foto e muitas outras estarão disponíveis logo logo no meu perfil do facebook. Confira!

Voltando ao nosso percurso de trem, o novato precisou de babador logo na primeira curva após Innsbruck, quando se inicia uma decida sinuosa que revela uma paisagem digna dos filmes do Highlander. Não dá pra descrever, assim deixemos que as fotos amadoras deste post falem por si.

O caminho prossegue até cruzarmos a fronteira com a Itália, e após alguns quilômetros a gente definitivamente percebe que está em outro país. É curioso, mas na Itália, embora a paisagem continue bela, as coisas parecem mais largadas, do tipo, “deixe o mato crescer e vamos curtir a vida”. Ainda assim, a gente vê muitas fazendas ao norte da Itália, com vinhedos e tudo mais. A segunda foto dá uma idéia boa do cenário que vamos encontrar até Verona, cidade a partir da qual a paisagem se torna mais urbana, com fábricas e indústrias.

O passeio termina com a chegada a Veneza, que por si só é um show a parte. Mas isso é assunto pra amanhã.

Salzburg

Salzburg foi um desses lugares onde uma visita despretenciosa acaba por se tornar uma grata surpresa. Você não ouve falar muito de pessoas que vêm a Europa e visitam Salzburg, embora a cidade tenha uma contribuição cultural muito importante para a humanidade: Mozart nasceu aqui. Mas além desse detalhe muito relevante, que em um primeiro momento foi o que levou o novato a passar por aqui em fazer uma parada de um dia em seu roteiro para o próximo destino, Salzburg se revelou uma cidade muito bela e interessante para se compreender como funcionavam as cidades na Europa medieval.

Antes de prosseguir com nosso relato do dia, é preciso fazer aqui uma menção honrosa a um casal de brasileiros de Maringá (eita, terrinha boa!) que conheci ainda no trem e que além de permitirem o novato acompanhá-los por todo o dia, mostraram-se fotógrafos profissionais com uma contribuição primorosa para meu album de fotos. Assim, ao Andres e à Vanessa, o nosso muito obrigado, e deixo o link do blog da Vanessa, que tem muito mais informações úteis e relevantes: http://vainatrilha.wordpress.com.

De volta a Salzburg, a cidade tem duas partes distintas: uma bem antiga (que o pessoal se refere como o Centro) e outra bem moderna, onde possivelmente a cidade expande sua urbanização e ficam as construções recentes como a estação de trem, vários hotéis e outras coisas mais. As duas partes são separadas por um rio. Nossa visita exploratória se concentou no Centro, pois é lá que se encontram os pontos turísticos relacionados ao garoto prodígio e orgulho da cidade, o jovem Mozart.

Uma das coisas que não tem nada a ver com o Mozart e me chamou muito a atenção é o fato da cidade antiga estar praticamente cravada dentro de um maciço de rocha, que com certeza servia como proteção natural para a cidade, que o utilizava como muralha. Hoje é possível passar por um corredor de aproximadamente 50 metros de comprimento escavado na rocha, mas a gente nota que no passado, acessar a cidade por esse lado era impossível. O maciço se ergue por uma altura estimada de uns 30 metros, sendo que no topo a gente vê algumas construções que são vestígios de guarnições militares. É possível perceber que a cidade foi estratégicamente construída em um lugar que era fácil de se proteger, pois se algum exército tentasse invadí-la, teria que fazê-lo por um único caminho. O outro lado da cidade é protegido por um rio, o Salzach. E no ponto mais alto da cidade, vê-se um imponente castelo, que possivelmente é o que deu origem ao nome Salzburg e deveria ser a casa do senhor feudal dessas terras. É muito interessante andar pela cidade e notar esses detalhes, algo que até então eu não havia percebido nas demais cidades visitadas, talvez por serem atualmente grandes metrópoles e devido a expansão urbana, limitarem a visão de quem as visita no tocante a estes aspectos.

No entanto, estar em Salzburg signfica reverenciar Mozart. Tanto a casa onde ele nasceu como a casa que posteriormente fixou residência foram transformadas em museus, e abertas a visitação. Uma estátua do músico pode ser vista bem no centro da cidade, indicando seu lugar de honra. Além disso, o povo empresta seu nome para teatros, escolas de música, lojas, até um chocolate chamado Mozart abunda por aqui (e considerando que é muito barato, não creio que seja muito bom não). E como não poderia deixar de ser, fechamos o post com uma homenagem ao Sr. Wolfang Amadeus Mozart em nossa última noite na Austria, enquanto nos preparamos para cruzar a próxima fronteira. Mas isso é uma outra história…

Viena

O Danubio (Azul???)

Bem, oficialmente, hoje foi o primeiro dia de Austria. Digo oficialmente porque ontem o novato aprendeu como lavar suas roupas em um hostel, e acabou conhecendo uma lavanderia da Austria, mas nada relevante em termos de viagens. Foi uma experiência meio traumatizante, pois por um momento ele pensou que teria que fazer o passeio de hoje vestindo pijamas, quando a máquina de secar roupas parou no meio do processo e exibiu uma mensagem em alemão que segundo o manual em inglês significa “chame a manutenção”. Mas no fim das contas deu tudo certo, apenas umas 2 ou 3 peças de roupa destruídas, nada que comprometesse a continuidade do nosso itinerário.

Quando se vem da Alemanha para a Austria, as diferenças são sutis. Não sei quem copia quem, mas a gente ouve o mesmo idioma, vê um modelo de transporte público muito parecido, os hábitos das pessoas nas ruas parecem similares, enfim, por alguns detalhes e a gente nem perceberia que está em outro país. Mas quando se começa a caminhar por Viena, as diferenças surgem, de forma bem visível.

Como descrever Viena… Creio que a melhor palavra é arte. Tudo que se vê, tudo que se nota ao redor, tem uma conotação artística muito forte. Começamos pelas ruas e vielas mais estreitas, mostrando uma cidade que conta com alguns anos em sua existência, mas logo atingindo as grandes praças com uma extensa área verde e construções imponentes que parecem afirmar que aquilo foi no passado um rico e próspero império, a arquitetura do neoclássico é abundante. E a riqueza em música, indescritível, tanto que Viena é considerada mundiamente a cidade dos músicos. Eu contei pelo menos uns 6 teatros onde ocorrem concertos simultâneos, praticamente todas as noites. E além dos concertos há dança, teatro cênico, museus relacionados a arte, e tudo que se possa imaginar.

Montei meu itinerário de passeio para hoje, e tive que tentar ser disciplinado para seguí-lo a risca. Vários museus pelos quais passei eram extremamente tentadores, mas eu sabia que se caísse na tentação, não chegaria ao Danúbio, meu primeiro objetivo. E lá foi o novato, caminhando, tirando fotos, parando pra babar nas grandiosas obras arquitetônicas dos museus e teatros, entrando nas lojinhas de souveniers para ver o que havia de interessante e barato. Cheguei finalmente ao Danúbio às 14 horas, com muita fome e sede. Daí, veio a única decepção do dia: o Danúbio não é azul! Não sei se na época do Strauss ele era azul, mas hoje ele estava algo entre verde e cinza, aquela cara de rio de cidade mesmo, onde se vê boiando algumas coisas que não deveriam estar ali. Enfim, limpeza talvez seja um problema na Europa, como em todo lugar, onde ainda se vê elementos humanos urinando nas esquinas, demarcando o território. Mas a vista do Danubio é bonita, moderna, projetando ao fundo um prenúncio dos alpes austríacos. Objetivo atingido, pegamos a primeira foto pro post de hoje.

Visão interna do Musikverein

Iniciado o caminho de volta, aproveitando a luz inversa para obter fotos melhores de vistas que estavam à sombra pela manhã, me dei conta que faltava algo, algo de suma importância que eu não poderia deixar de fazer. É inaceitável vir a Viena e não assistir a um concerto. E eu tive um baita de um problema, porque hoje era feriado, estavam ocorrendo apenas dois concertos na cidade e os preços eram bem salgados. Nem teve jeito, o novato foi pro sacrifício, e abriu a carteira, garantindo o ingresso em um concerto da Wiener Mozart Orchester, no renomado teatro Musikverein.

E assim fechamos o dia: após quase 2 horas de um seleto repertório de Mozart e finalizando com o Danúbio Azul de Johann Strauss, conclui minha primeira impressão de Viena: uma cidade viva, com muita arte e música da melhor qualidade. Mas a viagem tem que continuar.

Munique

Frauenkirche, em restauração

Hoje o novato escreve, pela primeira vez, de dentro de um trem que acaba de cruzar a fronteira entre a Alemanha e a Austria em Salzburg. Desde que já tiramos bastante foto hoje e ainda temos 2 horas até o nosso próximo destino, nada melhor do que aproveitar o tempo de janelinha para redigir o post de hoje. Uma pena não ter conexão de internet nos trens, pois se tivesse com certeza daríamos um jeito de realizar uma broadcast pelos alpes austríacos, que até agora eu vi apenas um pedacinho, mas já deu água na boca. Mas enfim, a Áustria é assunto para amanhã, porque hoje o dia foi dedicado a Munique.

Munique foi uma passagem relâmpago, que durou apenas uma manhã. Como choveu muito ontem durante a tarde e quase por toda a noite, não foi possível fazer muita coisa antes que amanhecesse um novo dia. O jeito foi tentar dormir cedo (a palavra tentar é apropriada quando nos referimos aos hostels, mas eu vou deixar pra detalhar isso outro dia) e acordar bem cedo para aproveitar tudo o que fosse possível numa manhã. Dito e feito, vou possível ter uma boa idéia do centro da cidade, onde se encontram os pontos turísticos mais visitados e assim poder emitir uma impressão.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que a diferença entre Munique e Berlim é significativa, mas não é fácil de explicar. Após pensar e pensar sobre isso, decidi optar pela seguinte analogia: é como se Berlim fosse um homem e Munique uma mulher. Berlim passa a idéia de uma cidade robusta, esbelta, onde tudo é muito grande mas ao mesmo tempo extremamente funcional e prática. Munique, por outro lado, tem um certo charme, um jeitinho aconchegante, que atrai e seduz. Em parte, talvez a diferença se deva ao fato de Berlim ter sido praticamente reconstruída após a Segunda Guerra, enquanto Munique conserva em vários aspectos a idéia de uma cidade mais antiga. A verdade é que as duas cidades oferecem muitos atrativos para quem as visita, em diversos aspectos. Lamentei não poder gastar 3 dias em Munique como fiz em Berlim, mas por outro lado isso é bom, pois tenho mais um motivo para voltar algum dia.

Neues Rathaus

Caminhar pelo centro de Munique é extremamente fácil, há um calçadão próprio para isso, e o fluxo de pessoas é bem grande. Há muitas lojas e opções de compra, embora todas estivessem fechadas por ser domingo de manhã. O que mais se vê são igrejas, sendo uma delas um dos os principais cartões postais da cidade: a Frauenkirche. Além desta igreja, vale uma menção honrosa para a Neues Rathaus.


A Frauenkirche, conhecida como as torres gêmeas de Munique, impressiona por ser uma estrutura do século XV construída em tijolinhos (e quando você vê o tamanho do negócio, tem que tirar chapéu para o engenheiro alemão que fez o cálculo estrutural disso tudo). Uma pena que a igreja se encontrava em restauração, assim foi possível fotografar apenas uma das torres. 


A Neues Rathaus é uma grande estrutura arquitetônica com uma torre gótica relativamente recente (século XIX), cuja arquitetura impressiona em sobremaneira devido aos detalhes. Hoje ela abriga parte da administração municipal de Munique. Voltei duas vezes para tirar fotos desta construção com diferentes ângulos de luz.

No mais, a gente percebe uma cidade moderna, com vida urbana agitada, muitas opções culturais, museus, anúncios de festivais por toda a parte, enfim, algo digno da maior cidade da Alemanha. E por estarmos na Bavária (que por si só é um show a parte e receria um post individual), o novato encerra o post de hoje pedindo a mim para escrever que essa é com certeza uma das regiões mais belas do mundo, e se um dia você decidir morar na Alemanha, procure uma casa por aqui.

A Alemanha de uma janela de trem

Hoje o novato acordou cedo para tomar um café da manhã reforçado, fazer checkout do hostel e por o pé na estrada, rumo a Munique. Após pedir informação umas 5 vezes pra ter certeza de que estava no lugar certo, ele embarcou no seu primeiro trem ICE (um dos trenzinhos rápidos da Alemanha) rumo a Munique, nossa próxima parada nesta viagem épica!

Entretanto, às vezes mais importante que a chegada é o caminho, então em uma viagem de trem que dura quase 6 horas, é importante aproveitar muito bem os locais por onde se passa. E da janela do trenzinho vê-se uma Alemanha bem diferente daquela fotografada em Berlim. São quase 600 km de paisagens, que variam desde as monótonas estações de trem, que praticamente toda cidade no caminho possui uma, até algumas visões bucólicas da natureza que parecem ter sido tiradas dos contos infantis dos Irmãos Grim.

No caminho, vi algumas coisas interessantes em termos de tecnologia alemã, como por exemplo o próprio controle da malha ferroviária, que a gente percebe em momentos que o trem reduz ou acelera próximo a uma junção e você vê um enorme trenzão passar em sentido contrário, na mesma linha que seu trem se encontrava segundos antes. Pude ver também diversas usinas eólicas e painéis solares, mostrando que os alemães estão alinhados com a energia ecologicamente correta.

Mas o mais impresionante do caminho é ver as pequenas vilas e cidades, que praticamente crescem em volta da estação ferroviária. As casas são simples, mas ao mesmo tempo aparentam ser tão bem cuidadas que parecem casinhas de boneca. Diferente da selva de concreto que estamos acostumados e ver em nossas cidades, parece que todo mundo por aqui gosta de ter um jardim com muito verde, roseiras e um playground para as crianças. A sensação que passa é de que os alemães valorizam bastante este aspecto do lar, da família, pois no minimo eles gastam muito tempo cuidando de suas casas.

Após 6 horas, cheguei a Munique a tempo de marcar minha próxima viagem, já para amanhã a tarde (infelizmente Munique será uma visita relâmpago, só mesmo para constar que passei por aqui) e fui direto pro hostel, pois explorar a cidade com toda a bagagem nas costas faz com que as impressões se tornem negativas muito rápido. Amanhã, falamos mais sobre Munique.

Um elevador e uma deusa

Hoje é meu terceiro e último dia em Berlim. Amanhã vou experimentar minha primeira viagem em um dos famosos trens rápidos da Alemanhã, cruzando o país rumo ao sul, até Munique. Assim, vamos ao post de hoje, com as últimas impressões e conclusões do novato. Apesar de três dias de fortes emoções, ele deixa Berlim com a sensação de que ainda há muito por se ver e conhecer

Tenho uma coisa a elogiar: a educação e tratamento gentil dispensado pelos alemães de Berlim aos visitantes. Não sei se isso é influência dos belos dias de verão que tive a felicidade de passar aqui, mas em todo o momento sempre fui muito bem tratado, fosse em um restaurante ou loja, ou mesmo para pedir informações nas ruas. Realmente é muito fácil encontrar um alemão falando inglês, e mesmo quando não fala, eles se esforçam para tentar te entender e te auxiliar, sempre de uma maneira muito objetiva, mas ainda assim muito humana. Por várias vezes, quando estava sozinho tentando produzir um auto retrato (aquelas fotos que a gente tira de si mesmo várias vezes tentando colocar a cara junto com a paisagem), pessoas se aproximavam e se ofereciam para tirar a foto.

Meu passeio de hoje foi começar pela famosa Alexander Platz, uma das praças mais famosas da cidade, bem próxima a Fernesehturm (é essa pequena torrezinha de 368 metros estampada na foto de hoje), e seguir por uma bela caminhada de aproximadamente 3 km até o Portal de Brandenburger, que é um dos símbolos da cidade. Mas, antes da caminhada, é obrigatório uma subida até o topo da Fernesehturm.

O acesso a torre possui um sistema razoável de segurança, muito provavelmente por temor a atentados terroristas. Você é vistoriado e se carregar contigo qualquer tipo de liquido ou latas, terá que jogar no lixo. A subida é feita de elevador, a uma velocidade de 6 metros por segundo (você sente o ouvido doer com a rápida mudança da pressão). La em cima, a visão panorâmica da cidade impressiona, principalmente se você entrar no restaurante giratório que tem lá. Dá pra tirar umas fotos muito legais.

De volta ao solo, o novato seguiu sua caminhada, passando por muitos prédios e antigas construções, incluindo o Museu de Arte de Berlin e algumas universidades. A cada 100 metros, uma pausa para fotos e, se o cansaço batia, uma sentada em algum banquinho, regada a bastante liquido e algumas nozes para dar mais energia. Hoje não levei Kinder Ovo, mas em compensação tinha comigo uma barra de Ovo Maltine, e acreditem, é melhor que o Kinder Ovo.

No Portal de Brandenburger, peguei o ônibus até a Siegessaule, também conhecida como Coluna Victoria, que acredito ser o monumento mais conhecido de Berlim, e remonta aos tempos do império Prussiano. A gigantesca estrutura (segunda foto de hoje) impressiona qualquer um. Quando a gente se aproxima, a sensação de imponência passada pela “bronzeada” Victória (uma das deusas da mitologia teotônica) se torna ainda maior, e pude contemplar a mesma já ao final do dia, com os detalhes dourados a refletir o sol. Fim de dia, amanhã uma nova cidade nos espera.

Uma Berlim que já foi duas

A despeito de qualquer primeira impressão frustrante que eu tenha tido no dia anterior, Berlim realmente conseguiu me convencer de que é uma cidade fantástica. Após 24 horas de estadia, 30 km percorridos (sendo aproximadamente 10 deles a pé), uma coleção de 200 fotos (isso já descartando as que não prestaram) e muita coisa nova na cabeça, posso dizer que estou me sentindo muito bem em estar aqui. Para memória, vamos a uma rápida descrição do dia.

Minha primeira decisão do dia (tirando aquela de comer 4 ou 5 fatias de pão integral no café da manhã) foi escolher o tipo de trasporte para as grandes viagens. Eu estava muito tentado a ir de bicicleta, mas depois de trocar uma idéia com um turista da Itália que está indo até Copenhague de bicicleta e parou em Berlim para dar um alô, cheguei à conclusão que, como não conheço a cidade, seria dificil pedalar com fluência no primeiro dia. E após encontrar um grupo de brasileiros que estavam pegando um ônibus turístico, decidi ir com eles, mesmo porque é muito mais prático estar com em grupo na hora de tirar aquelas fotos onde é importante que você apareça. E realmente o ônibus valeu a pena, você paga 20 euros para utilizar o onibus a vontade por 2 dias, podendo subir e descer quantas vezes quiser nas paradas durante o trajeto. Com isso, deu para em uma manhã ter uma idéia muito legal de boa parte da cidade, e pegar algumas fotos que surpreenderam até a mim.

Mas na parte da tarde, me separei do grupo e voltei a minha caminhada solitária, porque queria muito visitar um lugar específico, chamado Checkpoint Charlie. A primeira coisa que um ouvinte atento estranha é ouvir o nome de um ponto turístico de Berlim em inglês e não em alemão. Mas tudo fica mais claro quando você descobre que esse nome foi dado pelos americanos, não pelos alemães. O Checkpoint Charlie nada mais é do que o posto de controle de fronteira mais famoso da época da Guerra Fria, pelo qual as pessoas que trafegavam entre as Alemanhas Oriental e Ocidental tinha que passar, mediante uma rigorosa inspeção de documentos, que faria qualquer posto de imigração pelos quais passei até agora parecer um programa de auditório. Foi neste posto, do lado oriental, que várias pessoas foram baleadas por tentar cruzar a fronteira sem autorização. Vestígios do antigo muro de Berlim são encontrados nos arredores do Checkpoint Charlie, embora nesta exata região não exista mais nada, apenas a linha no chão que pode ser vista na primeira foto de hoje. Na época da Guerra Fria essa foto era um sonho impossível: estar ao mesmo tempo na Berlim Oriental e Ocidental, ou seja, em uma única Berlim.

E como a história geralmente tende a ser irônica, 20 anos após o fim da Guerra Fria a gente encontra, bem ao lado do Checkpoint Charlie, um McDonalds, talvez um dos grandes símbolos do capitalismo americano. E fechando o posto de hoje, o novato adiciona uma segunda foto, onde ao lado da imagem de um soldado soviético que tipicamente era responsável por fiscalizar a fronteira, vê-se a fachada do McDonalds, sempre aberto para os consumistas de plantão.

Bem, hoje eu comi broto de feijão por acidente (segundo a mídia, o último responsável pelo surto de e coli na Alemanha no início deste mês), assim, se eu não passar mal, amanhã tem mais!

Sprechen Sie deutsch?

Hoje foi o dia de dizer “até logo” ao Reino Unido. Sigo para um período intenso de viagem, passando por 4 países diferentes para ver de perto aqueles lugares que sempre sonhei em visitar. E neste trajeto o novato vai de avião, de trem, de ônibus, do que aparecer pela frente que seja conveniente e econômico. A primeira parada requereu bastante esforço e disposição, tudo para aproveitar um vôo do tipo low cost entre Londres e Berlin. E após quase 20 horas voando, andando de ônibus, correndo ou caminhando (isso sem incluir as longas esperas em aeroportos e estações rodoviárias), é isso: estamos em Berlim!

Cheguei em Berlim às 9h00 da manhã, cansado, com fome, fedido, e com pouca disposição para encarar um passeio no primeiro dia (que triste). Isso porque eu passei a noite acordado e após o longo processo de validação do bilhete do vôo, inspeção de bagagem, interrogatório pelo pessoal de fronteira, convenhamos: existe o sério risco de perder a empolgação e querer ir o quanto antes para algum lugar onde se possa descansar. Mesmo assim, eu tinha várias pendências de primeiro dia e decidi que precisava resolver as mesmas conforme o planejado, para manter as coisas nos eixos. Assim, vamos explorar um pouco da cidade!

A primeira impressão, tenho que admitir, foi relativamente frustrante. Uma coisa que logo descobri é que os alemães tem alguma problema sério com os banheiros publicos. Esses geralmente são pequenos (quero dizer, cabe uma pessoa de cada vez), então as filas que se formam são grandes e neste processo, a limpeza deixa a desejar. Do aeroporto à estação de trem, outra descoberta: a de que o transporte público alemão, embora eficiente, é extremamente complicado de se entender (pelo menos em Berlim). As informações disponíveis em inglês escrito são muito poucas, então o jeito é recorrer aos quiosques de informação. Entender um alemão falando inglês é relativamente fácil, mas parece que eles não tem a mesma facilidade para entender a gente. E o mais difícil em pedir informação é pronunciar os nomes das estações corretamente. Geralmente, após duas tentativas frustradas, eles pedem que você escreva o nome, e aí você descobre que a coisa pode piorar. Mas a lição foi aprendida: se quer visitar algum lugar por aqui, escreva o nome em um papel e carregue sempre com você porque explicar onde se quer chegar pode ser um desafio e tanto.

Mas, em linhas gerais, consegui chegar à Estação Central de Berlim (como tive que trocar de trem 3 vezes, demorei um pouco pedindo informação a cada troca), ativei meu europass para viajar de trem para os próximos destinos e ainda pude apreciar a vista da fantástica estação central, que integra o metrô (U-Bahn), trem de superfície (S-Bahn), trens metropolitanos e a rede de ônibus municipais. Daí você senta em um banquinho, puxa uma caixa de Kinder Ovo (um treco que é muito barato por aqui!) e fica admirando a eficiência alemã!

O dia acabou com uma caminhada nas proximidades do hostel que estou hospedado. Fui a mercado fazer minha primeira compra, com itens básicos de mochileiro (com exceção da toalha, que já estava garantida). Ao caminhar pelas ruas de Berlim, é possível notar uma diferença muito grande com as demais cidades: há poucas construções antigas, pois a cidade foi totalmente destruída durante a guerra, e reconstruída nos últimos 70 anos. Mas ainda há muita história em todos os arredores. E amanhã o novato vai em busca delas.