Paris

Um pouco de Paris, o Siena e a Torre Eiffel

O novato precisa admitir que Paris foi um dos posts mais difíceis de se escrever até agora. Isso porque a Cidade Luz é muito rica em detalhes, algo que seria melhor captado por uma alma feminina. Meu coração de ogro me limita bastante nestas circunstâncias, mas farei o meu melhor.

Havia muita expectativa em torno da visita a Paris, mesmo porque muitos amigos (em especial as amigas) me perguntavam com frequência se eu já tinha ido a Paris e quando iria. Alguns pediram fotos em locais especiais que ouviram falar que existem lá. E após algumas conversas, a gente acaba por descobrir que a cidade exerce um significativo fascínio sobre os brasileiros, o que se comprova pela grande quantidade de turistas de nosso país que podem ser vistos (e ouvidos em bom português) quando se caminha pelas ruas da cidade.

E falando em caminhar, as caminhadas são longas. Paris é uma cidade que, embora antiga e com muita história, foi totalmente replanejada nos séculos XVIII e XIX, o que faz com que ela possa ser considerada uma cidade jovem, dentro dos padrões europeus. Devido ao planejamento, tudo é grande: as avenidas, os passeios, as construções e as praças. Você precisa Continue Lendo…

Ainda a Normandia

É preciso realmente tirar o chapéu para a França e para os franceses. Não sei se os traumas vividos pelo novato na Itália têm algo a ver com isso, mas o fato é que estes últimos 5 dias na França, mais especificamente na Normandia, estão sendo muito bons.

Em todos os contatos até agora, o povo francês têm se mostrado muito educado e atencioso. Diferente do que ouvi de alguém uma vez, ninguém até agora ficou irritado comigo por eu não falar francês. As pessoas em geral entendem que você não fala a língua deles e conversam em inglês o suficiente para manter a comunicação (pelo menos aqui na Normandia). Ah, e algo bonito de se ver é as pessoas se cumprimentando nas ruas, nas entradas dos estabelecimentos comerciais, dizendo bonjour, mercy e au revour pra você, mesmo que você seja um completo estranho.

Hoje o dia envolveu um longo tour de carro, mas com a visita a lugares muito interessantes, sendo que os três pontos altos foram um castelo medieval, as falésias na Normandia e uma pequena cidade francesa do século XI devidamente conservada (para fins turísticos, é claro).
As ruínas do Chateau de Gallard, um castelo medi Continue Lendo…

Omaha Beach

O novato quase não acredita que está escrevendo este post. Isso porque visitar Omaha Beach foi uma dessas coincidências raras que a gente experimenta na vida, e cuja a história merece ser narrada aqui nos mínimos detalhes que esse post permitir.

Tudo começou há uns dois meses ainda no Brasil, quando, em conversa com seu nobre e antigo amigo Otávio Teobaldo (a ele nossa menção honrosa de hoje), o novato perguntou ao ilustre se este gostaria de ganhar algum souvenir especial da Europa e o salafrário, em um tom desafiante que lhe é de praxe, respondeu: “Cara, me traga um pouco de areia de Omaha Beach!”. Eu nem sabia direito onde Omaha Beach ficava na França, e pra dizer a verdade, em um primeiro momento demos risada dessa idéia, pois parecia (e de fato é) algo totalmente fora dos padrões de um brasileiro que visite a França. Todavia, quando já na Inglaterra, comentei essa história com o Stuart, pra minha surpresa ele disse: “podemos fazer isso, pois Omaha Beach fica a poucos quilômetros do local onde vamos ficar na Normandia”.

Bem, antes de qualquer narrativa, é importante dar uma explicação sobre Continue Lendo…

Deauville

Deauville é o primeiro destino do novato na costa noroeste da França, região da Normandia, e aqui vale uma explicação sobre meu recente itinerário. Estou na verdade viajando a tiracolo, pegando carona com a Alessandra e o Stuart em algo similar a uma legítima viagem de férias de britânicos. É muito comum que estes usufruam das praias francesas e espanholas durante o verão europeu, uma vez que mesmo nesta estação as praias de suas ilhas continuem muito geladas para banho de mar (e em alguns casos mesmo banho de sol).

Enfim, Deauville foi a cidade escolhida por minha irmã e seu esposo, e talvez não seja fácil nem mesmo encontrá-la no mapa. A cidade é um pequeno e aconchegante centro de lazer que já foi no passado muito exclusivo, mas hoje é um lugar acessível aos europeus de classe média. Estamos em um alojamento estilo kitnet, muito confortável e bem equipado, nos permitindo preparar nossa própria comida e com isso tornar a viagem bem mais econômica, pois o preço dos Continue Lendo…

Vive la France

Vista parcial de Notre Dame

O novato tem hoje a difícil tarefa de sintetizar as últimas 72 horas em um único post, até mesmo para evitar a síndrome de ficar vivendo do passado. Mas acredito que ele tem condições plenas de fazer isso em uns poucos parágrafos, então vamos lá!

Após uma extenuante viagem de trem de quase 24 horas, consegui finalmente dizer adeus à Itália e chegar a Paris. Como se fosse um presente grego de despedida, me deparei com uma paralisação dos trens na Itália, que até agora não entendi direito do que se tratava, uma vez que eles não dão quaisquer informações, apenas mandam você esperar. Quando o serviço foi reestabelecido após quase 3 horas, era gente a dar de rodo, e consequentemente todos os trens atrasaram. Finalmente consegui embarcar para Roma, e em Roma pegar um trem noturno para Paris. Aqui segue uma recomendação: quando precisar viajar de Roma para Paris, NÃO pegue um trem noturno italiano. Esses trens são lentos, sujos e nada confortáveis. A dica Continue Lendo…

Itália acaba em pizza

Conheci um italiano em Berlim, que me disse o seguinte: “não vá a Napoles, mas se for, não deixe de comer uma pizza”.

Uma das descobertas do novato é que o napolitano é tratado com bastante preconceito pelos demais italianos. E mesmo o napolitano parece se considerar um cidadão à parte do resto da Itália. Quando cheguei no hostel em Napoles, quis elogiar a comida da cozinheira, dizendo que o nhoque que ela preparava era um legítimo prato italiano. Ela, franzindo o cenho, respondeu: “Italiano, não! Napolitano”. O fato é que o italiano é muito orgulhoso de sua Itália, e o napolitano, em especial, de sua comida. A eles é atribuida a invenção da pizza (com data tão longiqua que ninguém consegue lhe informar exatamente em qual século).

Assim, seguindo parcialmente o conselho de meu amigo italiano, decidi que precisava provar uma pizza de Napoles, e isso aconteceu há duas noites. Esperei no entanto para narrar esta experiência hoje por dois motivos: primeiro, se a pizza não me fizesse bem, não iria merecer um post só para ela; e segundo, hoje estou em trânsito para a França e não poderei postar nada ao vivo (assim, usamos o recurso de post programado).

Minha aventura gastronômica teve a participação especial de três amigas brasileiras que conheci aqui em Napoles, e que muito fazem juz à menção honrosa deste blog, autorizando até a publicação de suas fotos. Camilla, Carol e Talita foram muito simpáticas com o novato em todo o tempo, partilharam da companhia e da pizza e ainda tiveram a bondade de dividir com ele informações estratégicas sobre a vida e o universo feminino (algo que possívelmente nunca conseguirei entender de fato e muito menos sintetizar em equações diferenciais, infelizmente).

Tomando os devidos cuidados para se caminhar em Napoles à noite, descemos de ônibus até a orla marítima e após uma breve caminhada, encontramos a pizzaria que nos foi recomendada, e que estava fechada. Mas encontrar uma pizzaria em Napoles realmente não é problema, e poucos metros a frente havia uma segunda pizzaria, inclusive muito bem recomendada por um cartaz deixado na porta da primeira. Fomos muito bem recebidos pelos atendentes (também, pudera, com três belas mulheres como companhia, até a mim eles tratavam bem) e logo estávamos solicitando nossos pratos. A idéia foi provar uma legítima mussarela de búfula (com tomate e rucúla acompanhando) e pedirmos quatro pizzas para dividir os sabores.

Como as pizzas acabam sendo individuais (e não haviam pratos para repartí-las devidamente), a Talita teve a idéia mais original e bem bolada que eu já ouvi em termos de pizza: improvisar literalmente um rodízio. Cada um comia uma fatia e depois trocava os pratos, em sentido horário, para não gerar confusão. Devo admitir que a idéia parecia coisa de engenheiro, inclusive com todos os prós e contras que toda idéia de engenheiro tem. E foi dessa forma que consegui comer um rodízio de pizza em Napoles, algo que para o legítimo napolitano possivelmente seria abominável! Mas fui comportado o suficiente para não perguntar se eles tinha ketchup (acho que eles teriam me expulsado da pizzaria).

Sobre a pizza napolitana, ela encanta aos olhos e é também muito boa ao paladar. Acredito que o segredo de fato está na massa. Ainda que eles possuam todo um ritual para preparar os recheios (ou coberturas, como preferir), a massa é que realmente chama a atenção pelo sabor e leveza. Entretanto, devo dizer que as boas pizzas que temos no Brasil não ficam devendo para a boa pizza napolitana (notem que me refiro às boas pizzas, Big Pizza não conta), assim você não precisa vir a Napoles para descobrir isso. De qualquer forma, comer uma pizza genuinamente napolitana é algo que sempre sai naquelas listas de “100 coisas para fazer antes de morrer”, então seguir o conselho de meu amigo italiano foi de fato algo importante.

E assim encerro minha passagem pela Itália. Descobri muita coisa por aqui. E não sei se volto algum dia… Talvez para comer outra pizza. E a viagem continua. O próximo post muito provavelmente terá sabor de croissant!

Napoli Sotterranea

Duas coisas estão se tornando um padrão para o novato nos últimos dias. A primeira é aparecer na foto sempre com as mesmas camisetas. A segunda é estar sempre fotografando ruinas greco-romanas. Bem, uma breve explicacão sobre os dois padrões adotados, antes que alguém pense que estou tão mau cheiroso quanto Napoles ou que não tenho outra coisa para fotografar.

Para viajar leve, escolhi trazer comigo apenas 3 camisetas dry, que vou usando e lavando embaixo do chuveiro mesmo, a cada dia. Não sou um exímio lavador de roupas, mas posso garantir que elas ficam cheirosinhas e secam rápido. Também tenho tomado banho todos os dias, mesmo em Napoles! E as ruínas, a questão é simples: coisas antigas, relacionadas a história, me interessam bastante, muito mais do que os trabalhos requintados dos artistas italianos da renascença. Assim, aqueles que queriam ver estátuas de nus artísticos, por favor, me perdoem… Fica pra próxima viagem.

Agora, falemos da Napoli Sotterranea, nome comumente dado ao conjunto de ruínas subterrâneas da cidade, que datam dos séculos III e IV AC (pensem nisso, é quase 2.500 anos)! Conforme comentado ontem, Napoles foi uma importante cidade ainda na período helenístico, e mescla muito da cultura grega e romana. Quando os romanos chegaram por aqui, acharam as construções gregas muito simplórias (tipo casas) e decidiram construir mais por cima (fazer sobrados, por assim dizer). Resultado: as dezenas de séculos foram pouco a pouco fazendo com que novas construções literalmente se sobrepusessem às antigas, e hoje tem-se no subsolo de Napoles uma verdadeira cidade subterrânea, um filé mignon para os arqueólogos.

Mas, como tudo em Napoles, visitar as ruinas no subsolo pode ser algo extremamente complicado, pois pra variar você não encontra nenhuma indicação turística que diga de forma clara “as ruínas estão ali”. Após pedir muitas informações, você descobre que existem várias empresas na cidade que oferecem este tipo de passeio, e cada uma possui o seu “pedaço” das ruínas. A triste conclusão é que se você quiser visitar todas, terá que pagar muito caro. A opção é escolher uma delas e torcer para que ela seja suficientemente representativa em relação às demais. Feito isso, o novato optou por visitar as ruínas do Museu Arqueologico Scavi, que correspondem a um antigo centro comercial da época da colonização grega, sobreposto posteriormente por edifícios romanos e finalmente por uma igreja, já na idade média.

Em um primeiro momento, recebemos de um guia falando francês (por sorte uma boa alma traduziu-me os pontos obscuros para o inglês) as orientações sobre como o centro comercial que visitaríamos funcionava, os tipos de serviço oferecidos, a localização de cada um deles nas ruínas e a explicação sobre como os arqueológos chegaram a tais conclusões. Após ouvir isso, começa a exploracão, uma descida de pouco mais de 10 metros no subsolo e um passeio pelas galerias de uma edificação que prende a atenção e os olhos (pelo menos para os que gostam de ruínas e de história).

Andando pelas galerias, a gente vê e aprende muita coisa. A começar pela diferenca entre as técnicas de construção grega e romana; a primeira utilizando blocos de pedra e a segunda tijolos de argila. Em seguida, é possível observar os locais destinados às atividades comerciais desta antiga edificação. Há uma lavanderia, descoberta devido aos tanques utilizados para lavar roupa, e um restaurante, com fornos para cozinhar e inclusive uma janelinha de quiosque, onde as pessoas faziam seus pedidos e pagavam por ele. Há até mesmo um banco, cuja existência os arqueólogos deduzem em função do tamanho e do formato das portas utilizadas para o recinto.

Chama a atenção também pios mosaicos que ainda podem ser vistos parcialmente nas paredes das antesalas mais importantes, e mesmo um piso rústico de um tipo de mármore considerado muito raro, o bastante para que mesmo os napolitanos se preocupem em que ninguém pise sobre ele, para não danificá-lo. No fim das contas, a conclusão que se chega é que a organização social de 2.000 anos atrás era em muito parecida com o que temos hoje, guardadas as devidas proporções.

E este foi o passeio do dia. Deixo a Itália amanhã, e estou guardando um post especial sobre culinária. Mas isso é assunto para um outro dia.

Napoles

Cumprindo-se a promessa, vamos falar sobre Napoles!

Napoles é uma cidade de intensos contrastes. Convivem em um mesmo espaço a grande beleza natural da cidade, banhada por um braço do Mar Mediterráneo, com lindas paisagens, e o descarado descaso das autoridades para com a infraestrutura da cidade, com uma política que não facilita em nada sua visitação. É curioso porque aqui se retrata muito bem o estereótipo que todo o brasileiro (e muitos outros estrangeiros) têm do italiano: o latino sangue quente, que fala alto, está sempre envolvido em dramas familiares e tem uma lábia muito afiada. Tudo isso se torna muito real ao se caminhar pelas ruas de Napoles.

Antes, um background histórico. Napoles possui registros de habitação desde o século VII AC, e foi uma importante colônia grega na antiguidade, passando em seguida a integrar o Império Romano. A cidade mescla muito da cultura helenística e romana e é possível perceber em suas construções o quanto de história existe ali, isso sem falar na Napoles subterranea, que ainda será tema de um post do novato.

Mas falando no novato, vamos a suas impressões, começando pelos pontos negativos. Se você um dia ouvir alguém falar que o Brasil é um lixo e quer viver na Italia, pergunte se ele conhece Napoles. Napoles é literalmente um lixo! Isso porque o sistema de coleta pública de lixo funciona apenas 2 dias por semana, e recolhe apenas o que conseguir fazer nestes dias. Assim, o lixo se amontoa aos montes nas ruas (eu ia postar uma foto dos montes de lixo, mas achei que seria apelação), o que faz com que o cheiro não seja muito convidativo. Às vezes a gente caminha muito para encontrar um lugar aparentemente limpo para comer, pedindo a Deus que sua refeição tenha sido preparada bem longe daquele monte de lixo. Outro problema sério é a postura do italiano. Em geral, italianos são muito mau educados com os turistas, quando se trata do sexo oposto. Isso mesmo, descobri logo que quando necessito pedir informações nas ruas, devo fazê-lo a mulheres. Por outro lado, nos passeios que fiz em grupos, quando as mulheres pediam informação, os italianos machos eram muito educados em explicar direitinho e com toda a paciência, correndo o risco de pegar a moça pela mão e levá-la até o local.

Todo esêse caos que se percebe ao passear pelas ruas da cidade é um tanto desapontante, pois a riqueza histórica e cultural é visível, mas não bem conservada como se vê em Roma e Veneza. Os monumentos centenários estão pichados, ou mesmo passam desapercebidos entre as montanhas de lixo. As pessoas não parecem se dar conta disso, e essa postura justifica o julgamento preconceituoso que os demais italianos fazem de Napoles: de uma cidade não amigável e mesmo repleta de criminosos.

Por outro lado, há lugares belíssimos, como as paisagens do Mediterrâneo e as praias de rochas (isso mesmo, não tem areia nas prais de Napoles). Nestas regiões vêem-se iates e limosines, mostrando que onde o dinheiro impera não há problemas de lixo ou sujeira. Algumas construções também surpreendem pela riqueza dos detalhes, como os palácios construídos próximo a orla marítima.

Na volta para o hostel, um ônibus cheio de pessoas, naquela empurra-empurra danado, um calor de 30 graus e todo mundo fedido, com os italianos a falar alto de tal forma que você se sente em meio a uma verdadeira briga de família. Considerando-se a forte influência que a imigração italiana tem sobre nosso país, pode-se afirmar que qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

Pompeia

Pompeia, e ao fundo, o Vesúvio

O novato está em Napoles há dois dias, controlando-se para não escrever coisas negativas sobre a cidade. Ele decidiu fazer uma avaliação de 3 dias antes de emitir uma opinião definitiva, então enquanto o prazo não se encerra, vamos falar de um lugar que é com certeza muito interessante e surpreendente: Pompéia.

Desde criança, eu sempre tive muito interesse em visitar essa cidade museu, que em 79 AD foi parcialmente sepultada por uma repentina erupção do Vesúvio. Curiosamente, as ruínas permaneceram soterradas por quase 1700 anos, mas desde então têm se tornado uma relíquia arqueológica pelo fato de conservar de forma quase intacta muitos artefatos que auxiliam a entender como era a vida cotidiana nas cidades do antigo Império Romano.

A visita a Pompeia a partir de Napoles é muito fácil, pega-se um trem metropolitano que deixa você em uma estação a pouco mais de 200 metros da entrada para a área de visitação. A antiga Pompéia é um misto de parque turístico e museu, e segue de certa forma a mesma estrutura do Foro Romano, ou seja, há lugares de visitação onde são expostos artefatos encontrados, assumindo assim as características de um museu. O local é bem preparado para a visitação, e embora seja bem movimentado, é possível ver e fotografar muitas coisas sem o inconveniente das filas.

Chama a atenção a organização da antiga cidade. Vê-se ruas organizadas devidamente em quadras, com as casas distribuídas de forma regular, em alguns pontos havendo até calçamentos para pedrestres. Algumas construções comuns que revelam aspectos históricos da cidade, bem como as casas mais luxuosas, recebem especial atenção, com a exibição de textos explicativos sobre o que foi descoberto nestes lugares ou, em se tratando de um lugar público, para que serviam. É possível descobrir, por exemplo, que os habitantes de Pompeia apreciavam almoçar fora de casa, pois foram encontrados vários lugares para venda de comida preparada (como os restaurantes) que entre as ruínas apresentavam comida petrificada e também moedas, indicando que as pessoas tentaram escapar do local as pressas, deixando tanto a comida quanto o dinheiro.

E por falar em escape, o que impressiona mesmo são os corpos petrificados, que realmente mostram em todos os aspectos como foi catastrófica a destruição da cidade. Não são muitos os corpos expostos ao público (apenas 4 pessoas e 1 cachorro), mas se percebe os mesmos em posição de fuga ou então de inanição diante de uma morte eminente. O terror fica estampado na face, que embora totalmente desfigurada, transmite a reação de um ser lutando ou suplicando por sua vida. Postei a foto de uma pessoa que morre em uma aparente posição de prece, como que clamando aos deuses por algum auxílio ante a destrução.

Pompeia realmente foi um passeio que valeu a pena. E recebe o selo Novato de recomendação para outros eventuais novatos que venham por essas bandas. Por si só, compensa os dissabores de Napoles. Mas deixemos Napoles para um outro dia.

Roma e o maior teatro do mundo

Ou deveríamos chamar de circo? O novato ficou em dúvida sobre qual palavra usar para o título de hoje, mas desde que o nome oficial do Coliseu é Anfiteatro Flavio… Bem, esse foi o nosso programa de hoje, incluindo todo o complexo que corresponde a antiga Roma, bem no coração da moderna Roma.

O Coliseu (também chamado de Palatino) e o Foro Romano são parte de um grande complexo cultural cravado bem no coração da cidade. É curioso que muita gente, assim como eu até dois dias atrás, tem uma boa idéia do que é o Coliseu, mas não sabe que nos seus arredores há um vasto conjunto de ruínas e antigas construções correspondentes à Roma Antiga. O próprio local é um sítio arqueológico, por isso a visitação a algumas ruínas é restrita. Ainda assim, é possível ver e mesmo tocar algumas delas, ao passo que as construções que se encontram em bom estado, como a Casa di Augusto, são tranformadas em museus, onde são expostos as descobertas arqueológicas das próprias ruínas. Tem até uma indicação de onde ficaria a cabana que teria nascido Rômulo. Durante a visita, fica-se sabendo que os primeiros vestígios de povoação em Roma datam do século VII AC, o que significa que o negócio é velho pra caramba.

Visão parcial do Foro Romano

A caminhada pelo Foro Romano é longa, cansativa (devido as ladeiras e ao forte sol), mas vale a pena. A gente consegue ter uma idéia muito boa de como era a cidade na idade antiga, desde as casas até as construções mais sofisticadas. E o termo sofisticado é muito apropriado aqui, pois a técnica de construção usada impressiona, mesmo para os dias de hoje. É possível distinguir diferentes camadas de ruínas, algumas mais antigas em um extrato inferior, e outras mais modernas, construídas ou restauradas sobre os encombros de outras construções. Em vários pontos, cartazes tentam indicar o que havia ali no passado, alguns até apresentando desenhos sobre uma possível configuração das ruínas, com base nos achados arqueológicos. Há indicações de ruínas dos antigos palácios dos Césares e dos templos dedicados aos deuses, algumas com forte influência grega em suas linhas. Foram 5 horas de caminhada para percorrer todo o Foro Romano, incluindo os museus, mas tudo que se vê impressiona bastante, com certeza é um passeio que eu faria de novo (desde que não fosse hoje!).

Visão interna do Coliseu

Deixei o Coliseu para a parte da tarde. Já era quase 3 horas quando segui pra lá, e não me arrependi, pois realmente a luz estava bem mais adequada para fotos. O Coliseu é a maior arena de festivais da antiguidade, que se tem relato. E de fato, seu tamanho impressiona. Era o famoso circo romano, local que abrigava os espetáculos para divertir as massas e garantir parte do famoso refrão dos governantes: “pão e circo”. E era um circo de horrores, por se dizer. Espetáculos de extrema violência, envolvendo lutas sangrentas e execuções. Nos corredores do Coliseu estão expostos objetos removidos dos sitios arqueológicos, entre eles carcaças de animais, armas e utensílios diversos identificando que o povo que assistia aos espetáculos pertencia a todas as camadas sociais da antiga Roma. Internamente, o Coliseu se aparenta muito com um estadio de futebol, mas arena hoje exibe as galerias subterrâneas de outrora. Enfim, é um local fantástico de se visitar e conhecer.

Muito cansado da caminhada, do sol e das filas, voltei para o hostel e estou encerrando Roma. Posso dizer que Roma, embora não tenha sido necessariamente meu estilo de passeio, é uma parada obrigatória na Europa, ou seja, visite-a ao menos uma vez na vida. Amanhã, um novo destino italiano espera pelo novato!