Ainda a Normandia

É preciso realmente tirar o chapéu para a França e para os franceses. Não sei se os traumas vividos pelo novato na Itália têm algo a ver com isso, mas o fato é que estes últimos 5 dias na França, mais especificamente na Normandia, estão sendo muito bons.

Em todos os contatos até agora, o povo francês têm se mostrado muito educado e atencioso. Diferente do que ouvi de alguém uma vez, ninguém até agora ficou irritado comigo por eu não falar francês. As pessoas em geral entendem que você não fala a língua deles e conversam em inglês o suficiente para manter a comunicação (pelo menos aqui na Normandia). Ah, e algo bonito de se ver é as pessoas se cumprimentando nas ruas, nas entradas dos estabelecimentos comerciais, dizendo bonjour, mercy e au revour pra você, mesmo que você seja um completo estranho.

Hoje o dia envolveu um longo tour de carro, mas com a visita a lugares muito interessantes, sendo que os três pontos altos foram um castelo medieval, as falésias na Normandia e uma pequena cidade francesa do século XI devidamente conservada (para fins turísticos, é claro).
As ruínas do Chateau de Gallard, um castelo medieval construído pelo Rei Ricardo Coração de Leão no final do século XII, é um local incrível de se visitar, principalmente pela vista que se tem a partir do mesmo. O castelo fica no cume de um alto monte, dando uma visão privilegiada do Rio Siena e do vale que virtualmente é o portão de entrada da Normandia. Em um período quando a Normandia era um território independente, muito cobiçado pelos ingleses, o castelo constituia um ponto militar altamente estratégico, mas que não prevaleceu por muito tempo. Logo após a morte do Rei Ricardo, os franceses avançaram sobre a Normandia, tomando o castelo e pouco depois o destruindo parcialmente. Hoje, suas ruinas permanecem como patrimônio cultural e realmente vale a pena visitá-las.

As falésias da Normandia são famosas, e o ponto de visitação das mesmas permite uma visão memorável de boa parte de sua extensão na costa norte da França. Infelizmente, devido à neblina baixa, as fotos não retratam tão bem o cenário que se vislumbra: um imenso despinhadeiro dando direto para o mar. A gente está tão acostumado com praias que uma visão como essa encanta à primeira vista.

O último ponto de visitação é uma pequena cidade francesa, quase uma vila, chamada Honfleur, próxima La Havre, que por sua vez abriga um dos maiores portos da França. Honfleur é uma charmosa cidadezinha devidamente conservado para apresentar aos turistas uma boa idéia de como eram os vilarejos franceses no passado, e ao mesmo tempo vender tudo o que for possível em termos de souveniers e produtos típicos da região, dos quais se destacam os doces, os queijos e as bebidas destiladas. O local é famoso por ter servido de inspiração a renomados artistas franceses, entre eles Monet, o mestre do Impressionismo. Confesso que à primeira vista o local não me chamou muito a atenção, mas depois de uma caminhada a gente começa a apreciar os detalhes das construções antigas, como uma igreja erguida em madeira rústica. Honfleur também foi no passado um porto às margens do Siena, e assim concentra diversos barcos pequenos (muitos deles com certeza de turistas), o que dá um charme ainda maior ao vilarejo, tornando a visita muito aprazível.

E a viagem pela França continua até sábado. É o último país na epopéia do novato, assim, o lema é aproveitar ao máximo. Ainda nos próximos dias, Paris e o Louvre!